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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Não te acomodes


Por muito que me custe admitir, sou comodista. Pois é, pertenço ao grupo de pessoas que gritam aos sete ventos que não gostam da rotina mas encontram nela um conforto tóxico que as impede de avançar.

A tendência do ser humano é acomodar-se depois de um certo período de tempo em determinada situação. Seja no trabalho, vida amorosa ou familiar, o que começa por ser uma zona de conforto, rapidamente se torna numa espécie de parasita que se vai apoderando de nós sem darmos conta. 

O comodismo vem do medo. Medo de mudança, de não estarmos à altura do desafio, de estragar algo que estava a correr bem. Quando chegamos a uma altura na nossa vida em que conseguimos superar e controlar esse sentimento, pensamos "estou bem aqui". A partir desse momento, ficamos paralisados com a possibilidade de um elemento exterior ou mudança estragar o equilíbrio alcançado.

Após dois anos sem conseguir nada, quando arranjei emprego no início do ano fui consumido por uma sensação de "missão cumprida". O certo é que o tempo foi passando e, após alguma negação, percebi que estou estagnado. Não me valorizam, mato-me a trabalhar e recebo muito a baixo das minhas funções. Que sentido faz, assinar uma sentença de morte, leia-se contrato efectivo, e ficar preso a um local onde crescimento pessoal é um termo desconhecido? Tenho 24 anos e não tenho ninguém dependente de mim, é hora de arriscar. Deve ser.

Na minha cabeça sou um autêntico revolucionário mas a realidade é bem diferente. Embora tenha confiança nas minhas capacidades e acredite piamente que era uma mais-valia para certas empresas, sou imediatamente consumido por uma insegurança que me faz duvidar até do meu nome. "Recebo pouco mas é melhor que nada.", "Tantas pessoas a quererem emprego e eu a querer ir embora", "E se não assinar o contrato efectivo e depois ficar novamente em casa?", a lista continua.

Além da vertente laboral, o comodismo está presente em vários campos da minha vida. Ir passear ou experimentar novos restaurantes era sinónimo de um valente "ugh, tem mesmo que ser?", que aliado ao facto de ser um tio-patinhas, não é uma boa combinação. Pouco a pouco, tenho tentado alterar a minha maneira de pensar. Aceitei que o problema existe e agora tenho que o combater. 

Sair da nossa zona de conforto não é fácil, nada mesmo. Mas quando nos colocamos em situações que considerávamos assustadoras e percebemos que afinal os monstros só estavam na nossa cabeça, é uma sensação fantástica.

Posso não ser a pessoa mais sábia do mundo mas uma coisa vos peço: nunca, sob hipótese alguma, se acomodem! Não se contentem com pouco, lutem, queiram mais. Sejam ambiciosos e não permitam que ninguém vos faça sentir menos do que realmente são. A vida está em constante mutação e à espera que lhe tomemos as rédeas. Ainda me falta muito, mas muito mesmo, para superar esta maleita, mas ao menos estou a tentar.


São comodistas? Não têm medo de arriscar ou são mais cautelosos?

9 comentários:

  1. Tão verdade... Eu também me acomodo às situações, sobretudo por medo do desconhecido. Mas também tenho que começar a mudar isso...

    Gostei muito do post e força, arrisca, Ricardo ;)

    Um beijinho

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  2. Subscrevo totalmente no que toca ás coisas sérias da vida: relações e trabalho. Comodista até dizer chega. Mas às vezes fico na dúvida se é ser comodista, se é ser demasiado ponderada e um tanto ou quanto pessimista. E o que às vezes me arrependo de ficar na dúvida se poderia ter algo melhor se não tivesse medo...mas bom. Little steps. Já consegui eliminar isso do resto das coisas, portanto pode ser que um dia consiga em tudo!

    Jiji

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  3. Por mais que nos sintamos em na nossa zona de conforto, faz sempre bem (e tem sempre as suas vantagens) sairmos dela e arriscar. Arriscar fazer coisas novas, novos ambientes, novas pessoas, ideologias novas. Contribui, e muito, para o nosso crescimento pessoal.

    Relativamente ao trabalho, quando uma pessoa não está feliz a fazer o que faz, é hora de pensar em alternativas. Por mais dolorosa que seja. Por mais questões do género "tanta gente sem emprego e tu queres ir embora?" surjam, temos que olhar para nós mesmos e para aquilo que queremos para a nossa vida.

    Abraço,
    Ricardo Rodrigues
    (www.opinguimsemasas.blogspot.pt)

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  4. Eu passo a vida a duvidar de mim própria. A questionar-me sobre tudo o que faço e digo. Por outro lado, isso nunca me impede de avançar. Ou seja: vou em frente com as coisas, ainda que sempre ansiosa e com dúvidas de que tenha tomado a melhor opção (o que por norma é bastante chato para quem está mais próximo de mim, que tem de levar com todas as dúvidas existenciais). Nunca me aconteceu estagnar e espero nunca vir a ser conformista com a situação laboral, ainda que admita que não me parece difícil de acontecer, dada a actual falta de emprego e as inseguranças que isso provoca (e que mencionaste). Estou como tu, não tenho perspectivas de crescimento na carreira no sítio onde trabalho agora, sou mal paga para a formação e capacidades que tenho e tenho planos para arriscar outra coisa já no próximo ano. Se vai correr bem? Na minha cabeça, o pior cenário desenha-se sempre. Mas avanço. É que se não arriscar agora, enquanto tenho o airbag da família e poucas responsabilidades, quando é que o vou fazer?

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  5. Podia ter sido eu a escrever este texto...e também não me agrada muito pertencer a este grupo dos "comodistas".

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  6. Nunca tive grande medo de arriscar. Confesso que penso sempre as típicas duas vezes, mas acabo sempre por fazer aquilo "tenho vontade", mesmo que o risco seja grande.

    Gosto de experimentar, mas também penso que se deve muito à educação que cada um tem. Se vivemos num ambiente "quadrado", em que estamos habituados à segurança diária e mudanças não são muito constantes acho que é normal, mas é algo que pode ser contornado. Quando estivermos próximos de tomar uma decisão, lembrar que é hoje que vamos correr um risco.

    r: quanto ao comentário, também não vejo mal nenhum em usar maquilhagem, eu própria a uso. Só acho que tendo em conta o panorama em que vivemos, em que a beleza se torna algo padronizado é um atitude que revoluciona.

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  7. Eu também faço parte deste grupo. Sou capaz de ser a primeira pessoa a dizer que uma mudança nos faz sempre bem, mas quando é no meu caso, custa até eu estar confortável com essa mudança. Concordo plenamente com o teu penúltimo paragráfo - foi exactamente isso que eu senti a meio da minha estadia académica nos Países Baixos, só gostaria é que tivesse sido uma vitória mais rápida de apanhar. Vamos ver se desta vez em Inglaterra a coisa correr melhor e mais depressa.

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  8. Acredito que talvez já o tenha sido, mas no presente não o sou. Gosto de desafios e escolho bem os que quero viver. Estar inserida numa rotina dá cabo de mim, e a sensação de poder experimentar coisas novas, por mais assustadoras que sejam, é das melhores sensações de sempre!
    Ainda bem que reconheceste este teu pequeno problema, agora é ultrapassá-lo!!

    A Vida de Lyne

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  9. Não sou comodista e isso vê-se pelo meu percurso profissional e académico. Arrisquei várias vezes, lancei-me de cabeça em inúmeras situações. Neste momento tenho um contrato efectivo e tenho 25 anos mas ainda assim não escondo da empresa onde estou que tenho outros objectivos e eles sabem que mais ano menos ano, quando eu tiver tudo em ordem, bato asas para outro objectivo meu.
    O meu pai, por exemplo, é a pessoa mais comodista que conheço e irrita-me o facto de ele querer que eu seja como ele. Por exemplo, aos 18 anos entrei no Mcdonald's. Trabalhei 1 ano e três meses para aquela empresa e quando decidir sair eu estava a ser avaliada para ser coordenadora de equipa e o meu pai chamou-me de burra por não ter ficado lá. A minha resposta foi em forma de questão "pai, preferes ver a tua filha num emprego fixo e não gostar do que está a fazer ou preferes que a tua filha alcance o que realmente quer para ser feliz a fazer o que verdadeiramente quer?"

    Cátia ∫ Meraki

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