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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A minha experiência Universitária em 5 pontos


#1. Festas nem vê-las 

Por influência de produções cinematográficas norte-americanas como "American Pie" — e qualquer outro teen movie —, cresci a pensar que a Universidade seria uma autêntica rambóia. Festas semanais na casa deste e daquele, com direito a beer-pong e raparigas semi-despidas no jacuzzi. Vá, estou a exagerar um pouco, mas ainda assim, pensei mesmo que seria uma época de muitas festividades. De facto, houve algumas saídas à noite ou "galas" como eles tanto gostavam de chamar, mas confesso que não fui a nenhuma. Comparativamente a colegas meus que viviam para aquilo, digamos que o facto de detestar mais de metade da minha turma não era o suficiente para me convencer a aturá-los mais tempo do que o necessário. Tenho consciência que sou uma excepção à regra, mas enfim.

#2. Amigos para a vida, onde?

Além das festas, sempre ouvi dizer que era na Universidade que se faziam amizades para a vida. Ou tive uma sorte de scheiße ou então devo ter frequentado a Twilight Zone. Sim, tinha um mini-grupo de três rapazes com quem andava diariamente, mas mesmo assim, era uma amizade de circunstância, sinto que não me conheciam de uma ponta à outra. Por muito que me apegue às pessoas e os considere genuinamente amigos, é triste perceber que não é reciproco. Era simpático, cordial e cómico, mas nem assim consegui estabelecer ligações com mais pessoas. Tendo em conta que a maioria eram autênticas princesinhas com mania — bem-vindos à selva de Comunicação Social! —, talvez faça sentido. Amigos a sério são os que fiz na primária e ainda hoje os tenho. Podemos ficar anos sem falar mas quando estamos juntos, é como se o tempo não tivesse passado.

#3. Irmandade do Traje

Provavelmente das coisas que mais me tirou do sério durante o meu percurso universitário, os trajados. A "Irmandade do Traje", como os apelidei, era aquele grupo de indivíduos que se considerava a última bolacha do pacote só porque pareciam estar vestidos para um velório. Uau, que máximo! Ugh. Só de me lembrar de certas situações, até me apetece vomitar-lhes em cima. Tenho tolerância zero para pessoas que se consideram superiores aos outros, a ponto de os humilhar por não pertencerem ao seu clique. Fui a um único dia de praxe e foi o suficiente para perceber onde me estaria a meter. Aquela vara de colegas de preto chegou ao ponto de fazer uma espécie de "espera" a duas raparigas que, apesar de não terem frequentado a totalidade da praxe (foram a uma ou duas semanas), cometeram o crime de aparecer trajadas. O drama, o horror! Relembro-vos que todos os intervenientes eram maiores de idade. Um dia escreverei sobre a minha relação com a praxe e os seus minions, um dia.

#4. Encostos não têm idade

Iludido, pensei que no ensino superior as pessoas tivessem uma mentalidade mais adulta e trabalhadora. Aw Ricardo, you dumb sucker. Em todos os grupos, existe aquele elemento que faz tudo e um ou mais que se encostam à sombra da bananeira. Digamos que dei grandes notões a alguns colegas meus e nem um obrigado recebi em troca. Muitas vezes apetecia-me não fazer nada só para ver se eles acordavam para a vida, mas ao saber que isso também me colocaria em risco, não podia. Como era o único com um olhar mais estético, cabia-me sempre a mim organizar o projecto final. Daí a ter que redigir autênticos testamentos de pesquisa enquanto outros se limitavam a escrever uma ou duas páginas, é uma autêntica chapada na cara. Isto para não falar das cadeiras informáticas. Aí sim, o trabalho era totalmente feito por mim por ser o único minimamente por dentro do assunto. Nasci para ser explorado, só pode.

#5. "Faltas quando quiseres"

Por influência do meu pai, que nunca me deixava ficar em casa nem quando estava doente, faltar à escola foi algo a que nunca tive direito. Ainda que não planeasse fazer disso um hábito, a possibilidade de poder ir "passear" quando quisesse era uma das partes mais apelativas da vida universitária. Primeiro dia e sou informado de que não só existe uma folha de presença a circular, como podemos chumbar se atingirmos um certo número de faltas. Baam. A sério, devo ter sido um valente sacana em outra vida. Ao estudar num estabelecimento privado em que tínhamos que pagar até para respirar, não me sentia bem em "deitar o dinheiro dos meus pais ao ar". Se faltei quatro vezes em três anos, foi muito.


Como foi a vossa experiência universitária? Temos pontos em comum ou nem por isso?

11 comentários:

  1. Identifico-me com todos os teus pontos, à excepção dos "amigos para a vida", pois considero que fiz dois. Sim não é um largo número, mas também dado que sou "altamente social" é um bom número para mim!

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  2. A minha foi um pouco semelhante, poucas festas, comprei o traje mas tb pouco o usei, sim porque desisti da praxe (e aqui ainda reina a mentalidade, "quem não vai a praxe, não pode trajar)! Duas amigas para a vida, o resto são meros conhecidos, não podíamos faltar, porque atingindo um numero mínimo de faltas não íamos a estagio e sem isso reprovamos .

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  3. Bem, eu acho que sou completamente o oposto de ti nestes 5 aspectos!
    A minha experiência foi muito boa, fui a muitas festas sim, tantas que lhe perdi a conta.
    Amigos para a a vida? claro! Não todos, poucos, mas com certeza para a vida, só eu sei o que passei com eles.
    Pertenci à "irmandade do traje" como lhe chamas, ou à praxe, como eu lhe chamo, nunca fui humilhada nem nunca humilhei ninguém, aprendi valores e tradições e foi precisamente isso que fiz quando enverguei o traje, ensinei a tradição da praxe, das serenatas, do fado académico, das musicas de tudo isso que enche o coração a muitos estudantes.
    Fiquei muitas vezes em grupos em que tenho plena noção que trabalhei mais que os restantes, mas também sei que sempre fui recompensada na nota, por isso nem me incomoda assim tanto.
    Faltar? Faltei muito, muito mesmo. Mas pronto, na minha faculdade as faltas às teóricas não contavam, só contavam a práticas e mesmo essas ainda podíamos dar um numero significativo de faltas.
    No fim disto tudo tenho a plena noção que não podia ter sido mais feliz com a minha vida académica, não me podia ter divertido mais. E mesmo assim, com muitos copos, guitarradas, e faltas tirei o curso e sou feliz! :)
    Como vês uma experiência completamente diferente da tua :)
    Beijinhos

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  4. o ponto 1, por opção, nunca fui de sair muito, mas não me sinto, de todo, excluída por isso. o ponto 5, só posso faltar a 1/3 das aulas, os meus profs passam folhas (isto no minho, em madrid não tenho aulas obrigatórias). mas ainda só estou no 3º ano, e ainda tenho mais 2 pela frente, nunca se sabe se algo poderá mudar.

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  5. Para variar, identifico-me com quase tudo, menos com a parte dos amigos, porque felizmente consegui arranjar pessoas muito especiais. Ai isso da praxe...eu também pertenci a um grupo que não foi a todas as praxes e mesmo assim "ousou" fazer tudo o que um estudante pode fazer.xD

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  6. Completamente de acordo Partilho exatamente os mesmos pontos!
    R. E sim deverias experimentar andar a cavalo a sério é super bom ahah !
    with love, KATE ❤

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  7. Na minha visão do ensino superior também não há assim tanto espaço para rambóia como os filmes tanto retratam esta época, mas há quem passe boa parte da sua vida académica numa autência festa, ou rave mesmo. Cada um com os seus gostos, mas também nunca fui muito virada para este lado da vida académica. Se for para jantares de curso e afins, aí já digo que sim, mas só agora no estrangeiro, que eu também não era a maior das fãs da minha turma na FLUL. Eu por acaso fiz alguns bons amigos enquanto estive na universidade, mas nem a meia-dúzia chegam. A maior parte deles vieram ainda da escola secundária. Ohhhh o dilema do traje, como eu bem me lembro. Logo na primeira semana na FLUL recebemos um e-mail a dizer que se não tinhamos frequentado a praxe não tinhamos direito a usar o traje, e quantas outras idiotices pelo meio. Ainda agora me apetece atirar com uma cadeira à cabeça de quem se lembrou de escrever aquele e-mail. E o pessoal deve ter vários trajes em casa não? Para os usarem todo o santo dia, ou então é lavado todos os dias (ou não, que ainda é pior). Eu também pensei que as pessoas fossem ter mais responsabilidade, mas também foi para esquecer. Aliás, deve ter sido o meu azar de certeza, mas para mim o ensino superior sempre foi o irmão gémeo do ensino secundário. Honestamente nunca vi muitas diferenças. Eu também sempre tive folhas de presença em basicamente todas as minhas cadeiras (foram muito poucas as excepções) e também tinhamos um número mínimo de faltas para dar.

    Eu acho que a minha experiência foi normal; nem muito má, nem muito boa. A faculdade é uma autêntica confusão e em muitos pontos, nomeadamente no currículo do meu curso, parece que ainda está no século XX. Gostei de alguns dos meus professores, mas sou bem capaz de rezar a todos os deuses por já não dar de caras com outros tantos. Foi basicamente o que disse assim: a imagem igual da minha passagem pelo secundário, mas com o pró de estar a fazer um curso que realmente adoro (embora curricularmente muito limitado). Eu sempre achei piada que toda a gente se vingava por não ter podido faltar às aulas enquanto estava no secundário, por isso era só ver pessoal a faltar a torto e a direito às aulas; mas eu cá faltava sempre que podia (i.e. quando estava doente) às aulas no secundário - aquilo era só memorizar os manuais, às vezes nem sei para é que tinhamos aulas se bastava cuspirmos as palavras dos manuais nos testes para termos boas notas -, mas na universidade foram muito raras as vezes que faltei. Este já é o meu 6º ano no ensino superior, e neste tempo todo acho que nem a uma dúzia de aulas faltei - honestamente basta perder-se uma hora de uma aula para já estarmos semanas atrasados, e isto não é só aquele cliché de frases que se vem tanto por aí.

    R.: a parte engraçada disto é que fui falando com amigos e amigos de família depois de terem ido a Londres pela primeira vez, e toda a gente disse-me a mesma coisa: "é um outro mundo, mas sinto-me como em casa". E obrigada :)

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  8. Identifico-me com alguns dos pontos que nomeaste!

    Beijinhos
    That Girl

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  9. Tivemos experiências parecidas, parece-me. Também não faltei muito porque o meu curso não tem aulas teóricas e práticas, e também circulava a infame folha de presenças. Os professores conheciam todos os alunos e não viam com bom olhos as faltas constantes. De resto, não fui a uma única festa (e o ISCTE é mega conhecido pelas suas festas) e não me meti na praxe. A universidade, para mim, foi um tempo dedicado ao intelecto e se pudesse voltar atrás faria tudo igual.

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  10. Esta publicação podia ter sido escrita por mim porque de facto não fui frequentadora de festas, não fui às praxes do curso, quando faltava era para estudar ou terminar aquele trabalho super complexo e não para ficar em casa a curar a ressaca. Já com o traje, sempre que o vestia sentia orgulho e a capa é o elemento pelo qual tenho mais amor.

    Tempos de universidade são os melhores, dizem. Eu não achei nada de especial. As minhas amigas continuam a ser as do secundário e da faculdade ficaram apenas alguns contactos com quem vou falando esporadicamente.

    Cátia ∫ Meraki

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  11. Temos vários pontos em comum :D
    É interessante ver que não sou só eu que acho que amizades para a vida não se fazem na universidade, as minhas duram desde a pré, as da universidade apareceram, sim senhor, falamos raramente, pouco mais.
    Quanto às festas, no primeiro mês de universidade achei que era só festas, até ver os trabalhos a juntarem-se e eu super atrasada. Foi aí que me caiu a ficha a sério.
    Encostos e faltas... ou as faltas dos encostos ahah apanhei tanta gente assim, que faltava e depois lá vinham chorar por ajuda, porque não apanharam nada. Enfim.
    Sobre a praxe não me manifesto, isso é um tema que não leva a lado nenhum. Cada um passou por uma praxe/universidade diferente, cada um viveu-a de forma diferente. Não vale a pena eu dizer que gostei das minhas, quando o curso ao lado já acha outra coisa, né? Portanto não leva a lado nenhum falar sobre isso.

    MAS... a universidade é uma boa fase de aprendizagem em vários aspectos, isso sim.

    let's do nothing today

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