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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #17



1. Delta Goodrem | Wings of the Wild

Com pausas de quatro/cinco anos entre os lançamentos dos últimos álbuns, a Delta Goodrem sabe como fazer os fãs sofrerem. Após mais de 10 anos de carreira e 9 número #1's, a cantora mantém-se uma das maiores estrelas pop da Austrália, e a minha favorita. De volta com Wings of the Wild, há duas particularidades que saltam ao ouvido: o uso de instrumentos de corda e o facto da maioria das faixas serem mexidas.

Conhecida pelas baladas de piano, este novo projecto abre com "Feline", um hino confiante e que sumariza na perfeição a direcção criativa e sonora de Wings of the Wild. As melodias tem uma magnitude maior, a voz da Delta continua limpa, igualmente poderosa e frágil, as letras são sinceras e a produção é rica e cheia de pujança. Até mesmo a cover do hit "I Believe in a Thing Called Love" dos The Darkness, é surpreendentemente soberba.



2. Blood Orange | Freetown Sound
MUST LISTEN: HANDS UP | BUT YOU | AUGUSTINEE.V.P. (ft. Debbie Harry) | HADRON COLLIDER (ft. Nelly Furtado) | JUICY 1-4 | DESIRÉE

Desde que o descobri algures durante a Universidade que me converti num fã devoto do Dev Hynes. Sob o nome de Blood Orange, o cantor e compositor presentou-nos com o seu melhor e mais pessoal trabalho até à data: Freetown Sound. Inspirado na injustiça racial vivida à volta do globo, Hynes oferece uma visão ampla da cultura africana, com a utilização de clips de vós e poesia falada para descrever a narrativa daqueles que ainda não têm voz.

O crescimento desde o primeiro disco, Costal Grooves (2011), passando pelo Cupid Deluxe (2013), é notório. O projecto actual é mais rico em conteúdo, sentimento, tem mais vida e uma sonoridade funk injectada com R&B dos anos 80, mas sob uma perspectiva moderna. Existe uma certa nostalgia na utilização de melodias festivas cheias de ritmos soul/tropicais.

Um cantor fantástico e compositor de mão cheia, Dev Hynes voltou a surpreender enquanto produtor. Aliás, cedeu o palco nas parcerias, deixando-as brilhar. Não é segredo que canta e escreve para mulheres, algo que considero bastante digno. A "nossa" Nelly Furtado lidera os vocais da "Hadron Collider", a Carly Rae Jepsen empresta o seu tom característico à "Better Than Me", e a Debbie Harry, dos Blondie, está em casa na "E.V.P.", que poderia facilmente pertencer ao seu repertório.

"My album is for everyone told they’re not black enough, too black, too queer, not queer the right way … it’s a clapback,", disse Hynes à Entertainment Weekly. Está a tentar descobrir-se, a sua origem e sexualidade e, simultaneamente, lança um olhar reprovador ao estado do mundo. Ainda há esperança para o futuro, mas não vamos chegar a lado nenhum se não unirmos forças e quebrarmos todas e quaisquer barreiras sociais. Se ainda não ficou claro, Freetown Sound, é um sério concorrente ao título de melhor álbum do ano. Watch out Beyoncé.


3. Grace | FMA

O nome Grace pode não vos dizer nada, mas talvez se lembrem da canção "You Don't Own Me". Originalmente cantada por Lesley Gore em 1963, esta cover conquistou inúmeros tops no ano passado, assim como o EP "Memo" recebeu uma mansão honrosa na minha lista dos melhores de 2015. Em vez de aproveitar o sucesso do primeiro single  e lançar um álbum apressado, a cantora levou o seu tempo e seis meses depois nasce FMA. "Forget My Attitude" é um título apropriado visto que é mesmo isso que ela nos oferece e doses favoráveis.

Numa sonoridade POP/soul influenciada por uma produção hip-hop, a cantora australiana conseguiu uma subtileza e naturalidade que a Meghan Trainor tem tentado desesperadamente alcançar. De baladas a faixas mais mid-tempo, é inegável a tentativa calculista de integrar elementos vintage e letras sofredoras dignas de uma Amy Winehouse sóbria. Com apenas 19 anos, Grace criou um trabalho coeso e maduro, onde a sua voz é a personagem principal. A partir de meio é provável que comecem a ficar um pouco cansados, mas seria um sacrilégio ignorarem este FMA.



4. Broods | Conscious
MUST LISTEN: FREE | FREAK OF NATURE (ft. Tove Lo) | WE HAD EVERYTHING | HEARTLINES | RECOVERY

Os Broods conquistaram o mundo indie-pop com o disco de estreia, Evergreen, em 2014. Um ano e meio depois o duo voltou maior, melhor e mais forte que nunca com o sucessor Conscious. Assim que ouvi a voz da Georgia Nott a percorrer os meus ouvidos na faixa de abertura, "Free", percebi que este álbum seria uma viagem sonora alucinante. Contrariamente ao primeiro, neste abundam autênticos hinos electro-pop vibrantes, cheios de vida e uma certa agressividade.

Relembrando um pouco de tudo, desde Ellie Goulding e MIA aos Radiohead. os irmãos neozelandeses conseguiram encontrar a sua própria voz. Elegante e coeso, Conscious aborda aquilo que de melhor e pior existe no mundo, mas de uma forma triunfante. Conquistados quaisquer medos, os Broods mantiveram-se fieis à sua promessa: estão livres.

OUTROS ÁLBUNS A OUVIR (AQUI)

Já ouviram algum dos quatro álbuns? Qual é o vosso favorito?

2 comentários:

  1. Eu ainda não ouvi nenhum mas acho que vou começar pelo dos Broods que desconhecia e fiquei bastante agradada com a "Free". :P
    beijinhos, The Fancy Cats

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  2. Fiquei bastante curiosa com o artista Blood Orange! Até já o estou a ouvir! :D
    Obrigada!

    A Vida de Lyne

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