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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Relações à distância


Por muito que falemos durante o dia ou nos vejamos à noite durante três horas, não é o mesmo. É uma sensação estranha. A outra pessoa está ali, mas ao mesmo tempo, não está. A caminho dos seis anos e meio de namoro, acredito que estamos vacinados para a maioria dos obstáculos que vão surgindo. Dito isto, nunca pensei vir a pertencer ao clube dos namoros à distância.

Regra geral, as relações não são fáceis. Muito menos quando o casal está separado por um país. Apesar de já o ter referido anteriormente, a minha namorada conseguiu uma oportunidade de ouro: estagiar na Disney em Espanha. Largando o seu emprego em Portugal, que por sua vez se tornou meu, onde ganhava uma miséria - tendo em conta a responsabilidade e quantidade de funções -, ela está finalmente num local onde lhe dão valor e se sente parcialmente realizada.

Face uma situação destas, a minha única função enquanto namorado e melhor amigo é de apoiá-la, independentemente da sua escolha. Não nego que tenha sido agridoce. Saber que o nosso apoio incondicional significa que vamos "perder", no sentido físico da palavra, a nossa principal companhia, é algo difícil de digerir. 

Se a nossa despedida em terras lusitanas foi marcada pelas suas lágrimas em cascata e a minha compostura exterior, os papéis inverteram-se num piscar de olhos. O primeiro mês não foi propriamente fácil, especialmente para mim. Tinha começado a trabalhar num local onde eram todos mais velhos, não conhecia ninguém, e de repente o meu pilar tinha desaparecido.

Seria de se esperar que a pessoa que vai para um país novo, longe da família e amigos, ficaria pior, mas não. Chegando a uma terra que não é a nossa, mesmo que seja a dos nuestros hermanos, entramos automaticamente em modo "Dora a Exploradora". Queremos passear, conhecer a cidade, lojas, cafés, tudo. A cabeça fica ocupada com um certo deslumbramento, colocando temporariamente de lado quaisquer tristezas ou preocupações. Para os que continuam cá, não há essa sorte. Quando a "ficha cai", parece que somos atropelados por um camião.

Agora que passou algum tempo, já não custa tanto. Ainda assim, há certas alturas em que somos lembrados da nossa realidade. Há dois meses atrás estava no metro e lembro-me de reparar num casal a conversar. Não estavam melosos nem aos beijos, simplesmente conversavam divertidamente. Naquele momento senti-me tão sozinho. Costumo dizer que sou como os labradores, "um cão de família", e dependendo das situações, prefiro a companhia à solidão.

Trivialidades como passear, ir a um café ou às compras continuam a ser feitas, mas sem a mesma vontade. Se por um lado ganhamos uma certa autonomia, na medida em que, não temos companhia para nada, por outro, pode tornar-se rapidamente aborrecido. Pelo menos para mim.

Não sei o que o futuro nos reserva mas estou curioso para descobrir.

9 comentários:

  1. Eu acho que conseguia manter uma relação à distância, porque não sou o tipo de pessoa que vê outro rapaz giro e fica logo confusa. No entanto, já percebi que, de livre vontade, nunca estarei nessa situação. Quando gosto de alguém essa pessoa é a coisa mais importante da minha vida, e ir para longe dele deixar-me-ia tão triste que anularia os efeitos positivos das condições que lá encontrasse.

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  2. De relações às distância não posso comentar porque nunca estive em nenhuma como tal, mas garanto-te que o que escreveste no quinto parágrafo é a mais pura das verdades. Passei um ano inteiro sozinha nos Países Baixos a estudar e, se os primeiros dias foram os mais difíceis, a partir do momento em que entramos no modo "Dora Exploradora" como bem disseste, a nossa cabeça está tão ocupada, que muitos dos pensamentos negativos que se tem quando se está sozinho nos passam ao lado. É claro que há momento maus em que batemos muito mal da cabeça, mas o conselho que dou sempre a quem se mude, sozinho, para um novo país e até mesmo cidade, é que se ocupe o mais possível. Deixarmos a nossa mente vaguear para os seus cantos mais obscuros e isolarmo-nos do mundo é das piores coisas que podemos fazer, especialmente quando estamos a enfrentar uma realidade nova e completamente diferente para nós. E em relação ao vosso namoro, estou certa que se chegaram até aqui, conseguirão chegar muito mais longe.

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  3. É um teste que ninguém se oferece para fazer. Mas quem o faz com confiança e devoção, passa com nota máxima de um amor que vence tudo.
    Espero - e desejo - que nada em vocês se perca e que sejam 'recompensados' por tamanha prova de amor e de vontade.
    Beijinho,

    with love,
    utopia.

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  4. Ai, como te compreendo... Estou há dois anos e meio a viver uma relação à distância e acho que só quem passa por lá é que pode realmente compreender... Não é fácil, não. Felizmente, eu e o meu namorado estamos mais perto duma solução mas, mesmo assim, ainda não vai ser para já que as coisas vão mudar. Estou solidária com a tua causa, Ricardo! Mas melhores dias virão, vais ver (=

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  5. Uma relação à distância nunca é fácil...

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  6. Namorei a distância aos 16 anos e corria muito bem. Tudo bem que nos víamos uma vez por semana e passávamos os dias nos sms. Também enviavamos cartas um ao outro, mesmo a moda antiga.

    Hoje em dia confesso que não conseguia/queria. Que a pessoa que eu ame esteja ali para mim fisicamente quando mais preciso e vice versa.

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  7. Percebo a situação e de facto não é fácil. Eu passei por isso no ano passado quando fui 3 meses para Budapeste em Erasmus e compreendo que o pior seja mesmo para quem fica porque tal como disseste quem está num sítio novo mais facilmente se distrai. No início as coisas foram meio atribuladas com essa minha decisão mas depois houve muito apoio e quando ele me foi visitar deu para matar as saudades todas e foi maravilhoso. Quando voltei senti que se tivesse que voltar a sair então aí iria ser pior, porque já sabia o quanto custava. Muitas vezes custa não teres ao teu lado a pessoa mais especial e não puderes partilhar tudo com ela.
    No meio disto tudo o Skype foi uma grande ajuda mas claro, não substitui o "cara-a-cara".

    Uns dias melhores que outros, mas vai tudo correr bem vais ver.:)

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  8. Bem, olha. Eu e o meu hubby passamos por semelhante.
    Ao inicio custa imenso, nos dias menos bons evitava pensar em nós, tentava focar-me no meu trabalho, na escola, no desporto. Eu sabia que para conseguir ter forças para isto, tinha que ter a mente ocupada, e assim o fiz.
    E nem tudo pode ser mau, este tempo em que namoramos à distância serviu para também nos conhecermos melhor e começar a ligar a pequenos momentos. Cada vez que sabia que ia ter com ele (mesmo que tivesse que fazer uma viagem longa e estar com ele 4h) desligava-me do mundo. Começamos a olhar e a projetar o que realmente queríamos. E ambos queríamos ficar juntos.
    Este nosso desejo implicou eu mudar de cidade do dia para a noite e deixar tudo o que tinha construído. Valeu a pena? Valeu e foi das melhores decisões da minha vida, agora nossa.

    Quero eu dizer com isto tudo que, por muito que vos custe agora... irá valer a pena num futuro. Quem sabe, se não irás tu a seguir para Espanha?
    Beijinho e não desanimem.

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  9. Nunca acreditei muito nas relações à distância porque de todas as pessoas que conheci que viviam uma assim não resultava. No entanto, com o tempo comecei a aperceber-me que não é a distância que termina uma relação mas sim as próprias pessoas. Acho que se ambos quiserem e se houver amor os problemas são ultrapassáveis :)

    Cátia ∫ Meraki

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