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segunda-feira, 18 de julho de 2016

A Importância das Universidades


Terminando o Secundário com uma média de 15 valores, nunca pensei que fosse tão complicada a entrada para uma Universidade pública. Candidatei-me a três estabelecimentos de ensino superior em Lisboa e não entrei em nenhum. Quem diria que para ser jornalista precisava de uma média digna do curso de Medicina. 

Enquanto os meus amigos faziam a festa no facebook, passei a tarde a chorar. Sem saber ao certo o que fazer, senti-me um autêntico falhado. Apontado por qualquer um dos meus colegas como o aluno mais certinho da turma, falhar não estava, de todo, nos meus planos. Passado o período fúnebre que ainda durou uns dias, não tive outro remédio se não encontrar uma solução: universidades privadas.

Tendo em conta a localização geográfica e suposto "reconhecimento", a primeira opção foi a Universidade Católica de Lisboa. Sem pré-reserva feita, graças à esperança de ser colocado nas públicas, fiquei automaticamente sem vaga  ao contrário de uma amiga minha que se precaveu —,  naquele que é considerado o estabelecimento mais queque da capital portuguesa. Bastou uma manhã no campus para compreender tal afirmação.

Dali segui para a Universidade Lusófona e a diferença de ambiente foi drástica. Inicialmente não fiquei nada bem impressionado. Parecia que estava a entrar num antigo complexo de lojas, repleta de edifícios com estilos e pinturas em total conflito visual. Uma autêntica feira. Contrariamente à anterior, neste se pagas, entras. Pelo menos antes era assim. Ao constatar que era um dos alunos da turma com a média mais alta no mar de tantos 10's foi algo um pouco desencorajador.

Durante os três anos de licenciatura, estourou o caso Miguel Relvas. Que pontaria, bolas! Não tardou para que começassem a chover comentários negativos sobre "os alunos da Lusófona". Do dia para a noite, os "burros" que só conseguiram entrar na privada ganharam outro rótulo, o de charlatões que compram diplomas. Inacreditável. Sinceramente comecei a pensar que havia alguém decidido em querer arruinar a minha vida académica, irra. 

Olhando para amigos que ficaram em Universidades públicas ou até mesmo na dita Católica, a diferença na carga de trabalho era chocante. Fomos injustamente chacinados nos media visto que não tínhamos tardes livres, as aulas tinham uma duração de 2 ou 3 horas  sim, leram bem  e com um sistema de faltas. Enquanto muitos se podiam dar ao luxo de ir para casa mais cedo ou nem colocar lá os pés, nós não. Nunca a expressão "por causa de uns pagam os outros" fez tanto sentido. É revoltante.

Um amigo, e colega de turma, foi a uma palestra de uma "conhecida" apresentadora de televisão, na Católica, sobre o futuro do jornalismo ou algo do género. No meio do discurso, abordou a questão dos currículos. "Quando recebo CV's faço uma pré-selecção. Se forem da Lusófona, por exemplo, vão logo fora". Palavras para quê? Uma pessoa ouve uma coisa destas e pensa logo que está condenada por um crime que não cometeu.

O certo é que passaram-se uns dois, três anos desde que terminei a Licenciatura e arrisco-me a dizer que nenhum dos meus colegas conseguiu vingar na área de formação. À excepção de um que ficou na rádio, o resto terminou em lojas, escritórios, no Hospital dos pais ou no desemprego. Nem eu, um dos três melhores alunos da turma, consegui trabalho numa revista que fosse. Nada.

Sinceramente? Não me arrependo de ter estudado na Lusófona. O ambiente era óptimo, conheci algumas pessoas excelentes e tive uns três ou quatro professores fantásticos. Professores esses que, curiosamente, também leccionavam na Universidade Nova de Lisboa, uma das "melhores". Caricato como partilhamos os mesmos docentes mas como o local de ensino é diferente, uns são bons e outros maus. Só demonstra o quão débil é a mentalidade das pessoas.

Moral da história, sim, a escolha das Universidade é importante. Nem que seja pela maneira como vão ser vistos pelo mundo. No entanto, não é decisivo. A minha amiga da Católica acabou numa loja de roupa, portanto, e agora? Nunca se sintam menos que os outros devido ao local onde estudaram ou pelo curso que tiraram. Até pode ser o pior sítio de sempre, mas se forem empenhados, tiverem alguma "sorte" e não apanharem pessoas como aquela apresentadora pelo caminho, podem ter tanto ou mais sucesso que qualquer outra pessoa.

14 comentários:

  1. Já tinha ouvido falar disso da pré-selecção de CV's algumas vezes e de facto é um bocado triste (por que raio deve o futuro de uma pessoa estar à partida determinado APENAS pela universidade que frequentou?! - e não pelo que "absorveu"), no entanto estaria a mentir se dissesse que quando estive à procura de universidades não tive em conta o prestígio de cada uma (o que deduzo que seja normal).

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  2. É muito triste ver que as coisas em Portugal já chegaram a esse ponto. Mas não é só na tua área, acredita... Há demasiada competição, não temos mercado de trabalho para tantos licenciados e isso depois cria situações dessas, é o chamado "vinte cães a um osso" e começam-se a usar critérios de seleção ridículos

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    1. Entrei naquele Curso ciente que as probabilidades de vingar na profissão serem mínimas, mas quando me contaram da apresentadora, nem quis acreditar. Enfim, é o país que temos.

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  3. É certo e sabido que em Portugal as universidade privadas têm uma reputação muito negativa. Tive quase a ir para uma porque no primeiro ano não entrei no curso que queria. Os meus pais dispuseram-se a pagar mas eu recusei. Preferia 'perder um ano' do que ir para uma privada e não me arrependo disso. No ano seguinte entrei no curso que queria e onde queria e dou graças por isso todos os dias. Tive sorte, sem dúvida.
    Mas concordo contigo quando dizes que se fores o melhor, seja lá onde for, que se consegue chegar longe. Acho que o essencial é não desistir. E se por um caminho o cenário for mau, tentamos outro.
    xx, Ana

    The Insomniac Owl Blog

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  4. É injusto sim... também acho que somos forçados a escolher aquilo que queremos quando somos ainda muito jovens.
    As pessoas gostam de generalizar, como aliás se pôde ver com o caso da Lusófona

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  5. É triste que a universidade em que se estuda seja motivo suficiente para pôr um currículo de lado, mas tal como tu acredito que com trabalho e alguma sorte, mais cedo ou mais tarde uma pessoa chega onde quer. Ou assim gosto de pensar :)

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  6. Eu quero muito fazer um mestrado (que ainda não será para já) mas tenho duas opções:
    - Universidade Lusófona
    - London Metropolitan University

    A minha decisão será, acima de tudo, monetária sendo que em Londres os cursos são caros e o nível de vida também :(

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    1. Havendo a possibilidade, claro que a escolha óbvia seria a London Metropolitan University. O teu CV ficava automaticamente com uma nuvem dourada por cima haha. Mas compreendo perfeitamente que monetariamente falando, não seja nada fácil.

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  7. Alguém que me corrija se estou errada, mas somos de certeza dos poucos países em que andar numa universidade privada é visto como algo negativo. E honestamente não vejo isto a mudar tão cedo, se é que alguma vez irá mudar. Injustamente ou não, porque depende da opinião e ponto de vista de cada um, ter sucesso na nossa carreira começa e muito também pela universidade em que calhamos, para além das nossas notas. E eu acredito que a maior parte das pessoas olhe para a "universidade" e não para as notas que se obtiveram. Uns quantos anos atrás eu também acreditava que com altas notas e muito trabalho que, no final, era irrelevante se tinhamos tirado a licenciatura na Lusófona ou em Harvard. Neste momento, já não vejo isto assim. É certo que ter óptimas notas é importante, mas vive-se num mundo de tal modo cão que, neste momento, ter sorte e bons connects vale mais do que outra coisa qualquer. Se a Lusófona nunca teve boa fama, penso que agora nunca mais o terá. E honestamente, só penso que a Católica se safe porque o seu curso de Economia (juntamente com a NOVA) é um dos melhores da Europa. Acredito que se não fosse isso, tinha ido igualmente pelo cano como as restantes. No meio disto tudo só lamento que estejas metido no meio desta confusão (sempre odiei o ditado de "por um pagam todos"), e espero que nunca encontres pela frente um empregador como essa jornalista. Ninguém merece mesmo.

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    1. Tendo em conta que não consegui emprego na minha área, nem com os bons resultados académicos que tive, fica sempre aquela dúvida se não será devido à Universidade. Portugal é o país das aparências e infelizmente não vai mudar tão cedo.

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  8. Quando escreveste que na tua Universidade foram chacinados...parecia que estava a ler sobre a minha - que é pública.

    Tardes livres são mito, quase todas as nossas aulas têm três horas e há sempre uma folha a circular para assinarmos e marcarmos presença. E ai de nós que faltemos a 25% das aulas. Cai o carmo e a trindade.

    Mas, no fim do dia, acho que escolhi bem. É uma faculdade relativamente pequena, mas uma das melhores colocadas a nível nacional - mas também me mato a estudar. Se tudo o que importar for o CV...então estou no bom caminho.

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