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sexta-feira, 25 de março de 2016

Mundo Real vs. Virtual

Nascido em '92, a minha infância foi passada no início da propagação dos computadores. Embora nunca me tivesse sido permitido, por questões de preocupação parental, lembro-me de uma altura em que as crianças brincavam na rua. 

Os jogos de apanhada, escondidas, aos berlindes e aos Power Rangers ou Navegantes da Lua não se restringiam, única e exclusivamente, à época de infantário/primeiro ciclo. Por entre chutos numa bola ou trocas de tazos, a felicidade era genuína, contagiante, e mais importante, partilhada. Acordavam aos fins-de-semana, de manhã cedo, para assistir aos desenhos animados na televisão e acabavam a ver o BBC Vida Selvagem, na SIC, até à hora de almoço. Hoje em dia isto é praticamente inexistente.

As diversões de exterior foram trocadas pelos jogos de playstation e as conversas em pessoa, por algoritmos num ecrã digital. Não me oponho aos avanços tecnológicos, muito pelo contrário, mas é inevitável reparar que, a cada paço em direcção ao futuro, as pessoas estão cada vez mais desligadas de algo fundamental. Contacto com outros seres humanos.

Antes dos computadores, havia diálogo e jogos lúdicos em família. Agora só se vêem às refeições e depois voltam todos para as suas tocas  como muitos de vocês, também sou culpado deste crime. Mesmo que prolongue um pouco a minha estadia à mesa de jantar, há sempre uma voz na cabeça que me diz "despacha-te, podias estar a fazer/ver aquilo".

Em países onde a tecnologia já se enraizou como um Deus, omnipresente, a existência de adolescentes com amigos virtuais que não conhecem/interagem com os colegas de escola ou vizinhos, é enorme. Vejo pelo caso do meu irmão mais novo. Dá-se bem com todas as pessoas, mas não tem um melhor amigo ou grupo mais chegado. Faz-me muita confusão, confesso. 

Sinto que as crianças estão a desaprender as brincadeiras tradicionais e, consequentemente, a ganhar uma dificuldade em estabelecer vínculos afectivos com os outros. Uma coisa é serem mais reservados por natureza, outra é tratarem-se do fruto de uma sociedade que prefere refugiar-se em computadores e viver uma vida virtual.


Ainda pertenceram à geração pré-computadores? O mundo virtual superou o real?

14 comentários:

  1. Eu tive uma infância exatamente igual à tua. E tive a sorte de partilhar todas as brincadeiras com o meu irmão, de irmos para a rua a toda a hora, de chegarmos a casa todos sujos... Foi uma infância com muita brincadeira e liberdade. E os meus pais hoje comentam o mesmo que tu: hoje as crianças não podem sair à rua, não se podem sujar, passam o dia inteiro fechados em casa agarrados à TV e aos Tablets, e isso não pode ser saudável!

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  2. Realmente a era tecnológica transformou as criança deste século, hoje elas já nascem no meio virtual. Eu nasci em 1998 e passei boa parte da minha infância como você. Hoje eu já sinto falta dos velhos tempos.

    Abraço, www.princedreamer.com

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  3. Nasci em 99 e perto dos meus 10 anos é que tive o meu primeiro computador e telemóvel, tal como a maior parte dos meus amigos. Isto fez com que também tivesse a oportunidade de brincar na rua.
    Hoje em dia reparo que apesar de as pessoas da minha geração, ou pelos menos as com quem contacto diariamente, se importarem demasiado (na minha opinião) com a imagem que transmitem nas redes sociais, quando estamos todos juntos muito raramente nos lembramos de pegar no telemóvel.

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  4. Eu nasci em 88, durante grande parte da minha infância, ter consolas não era para toda a gente e lembro-me perfeitamente de quando o meu pai teve o seu primeiro telemóvel (com muito menos funções do que os actuais). Lembro-me do GameBoy, da Mega Drive e da Sega Saturn (foi a minha primeira consola) e durante a minha adolescência o epíteto dos jogos virtuais era o Snake II, dos telemóveis da Nokia. Brinquei imenso na rua... joguei à macaca, às escondidas, saltava da varanda de casa quando a minha mãe não me queria deixar sair, esfolei joelhos, rachei o nariz... mas fui tão, tão feliz. Não trocava a minha infância por nada. E não compreendo o que é que pode haver de produtivo numa infância passada a brincar com tablet's e afins...

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  5. Eu também costumava fazer isso aos fins-de-semana (e depois especialmente nas férias, que havia sempre mais tmepo). No meio disto tudo, eu até me admiro é que os documentários da BBC ainda passem na SIC antes da hora do almoço. Substituiram-se tão bons programas... é um milagre que alguns ainda se mantenham no ar. E acrescentar a todo este vício das novas tecnologias, também já comecei a reparar que há pais que brincam cada vez menos com os filhos, o que eu acho que não é nada saudável. Aliás, brincar com os meus pais é das melhores recordações que tenho da minha infância.

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  6. Acho que uma das coisas mais preocupantes é que no facebook podem estar 3000 amigos, mas depois, quando se trata de falar com alguém cara-a-cara a coisa muda de figura e perde-se a capacidade de saber falar com as pessoas e de "enfrentar" o mundo real.

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  7. tornou-se muito mais inseguro os miudos estarem na rua também...

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  8. De fato! E eu fico abismado por fazer parte dessas duas épocas. Era da cultura de acordar e assistir vários desenhos na tv e me divertir com meus amigos. Hoje em dia, tudo mudou, até mesmo eu, que vivo ligado no smartphone e nas redes sociais. Uma pena que eu tenho dessas crianças dessa geração.
    Feliz páscoa!

    http://jj-jovemjornalista.blogspot.com.br/

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  9. Ainda é cedo para conhecermos o impacto da Internet em toda a sua extensão. Como bem dizes, a nossa geração foi a última a crescer sem Internet, e só quando as próximas atingirem a idade adulta poderemos comprovar se de facto deixaremos de ser seres sociais. Pessoalmente, não sou uma pessoa social, mas em nada se deve à Internet - antes, passava os jantares de família a ler revistas de banda desenhada (ou os rótulos das garrafas, se me tirassem as revistas), por isso a única alteração foi no veículo que me permite escapar do contacto com as pessoas :P

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  10. E se eu tinha uma coleção pequena de tazos, de cartas do pokemon e afins. Hoje já nem existe nada disso, os miúdos já nascem todos tecnológicos.

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  11. Eu sou do tempo pré-computadores e pré-telemóveis. Ainda me lembro do que é não, simplesmente, não saber o que os outros estão a fazer a qualquer momento e, para ter que ir a algum lado, ter que voltar a casa para pedir autorização e ir. Acordava super cedo para ver desenhos animados e de tarde lia ou inventava alguma brincadeira, visto que ninguém me ligava puto.
    Acho que esta geração está super desligada da vida real. É verdade que temos que acompanhar a inovação tecnológica, e não é a barrar o acesso dos mais novos, mas há que fazê-lo com conta e medida. Muitas vezes os pais metem todo o tipo de aparelhómetros nas mãos dos filhos, só para não ter que os ouvir. Os miúdos dão trabalho.
    Há pessoas que são naturalmente tímidas e recatadas, eu incluída, mas acho que estamos a criar uma geração "auto-excluída".
    ****

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  12. Compreendo-te perfeitamente... e infelizmente é triste sim.

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  13. Lembro-me de ter computador em casa desde sempre (pela profissão do meu pai) mas sou claramente da geração pré-computadores. E tenho lembranças tão felizes de estar na rua a brincar, a saltar, a correr, a jogar ao faz de conta, a sujar-me, a cair, a rir... a ser uma criança feliz!

    Givaway no blogue

    nem mais nem menos | Facebook | Instagram

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  14. Eu pertenço à geração pré-computadores e faz-me imensa confusão ver a dificuldade que as crianças têm em conversar e pior ainda, ver as pessoas a oferecerem tablets e telemóveis em vez de brinquedos (diga-me, bolas de futebol, plasticina, etc) e livros.

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