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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

TGW Presents: Top 20 Movies of 2O15


Nem sei o que me deu mais trabalho, se seleccionar e editar vinte vídeos para criar os "TOP 10 UNDERRATED SINGLES" e "TOP 10 MUSIC VIDEOS", ou ver um hipotético total de vinte mil horas de filmes para criar a lista de hoje. Não é por acaso que optei por incluir 20 em vez das habituais 10 posições. Com variadas longas-metragens absolutamente geniais nos mais diversos géneros, seria um autêntico sacrilégio não incluir alguns por falta de espaço.

Ainda falta um mês para os Óscares mas sinto-me mais preparado que nunca para lutar com unhas e dentes pelos meus favoritos, especialmente no departamento das interpretações. Deixarei as minhas previsões/opiniões para uma publicação exclusivamente dedicada ao tema, mas posso já adiantar que se este não for o ano do Leonardo Dicaprio, estou disposto a atacar alguém em protesto.

Relembro que o TOP 20 que se segue baseia-se na lista de 82 filmes a que assisti (como ainda não vi o "Star Wars", não entra), lançados oficialmente em 2015. Ou seja, casos como "Birdman" que estreou nos Estados Unidos em 2014 e em Portugal só no ano seguinte, não contam para a estatística. Além dos escolhidos, seleccionei outros seis nas "MENÇÕES HONROSAS" que são igualmente fantásticos mas por questões de ordem técnica (embora não seja um crítico profissional, gosto de pensar que sei ver o que vai para além do enredo), ficaram de fora. Quer isto dizer que por muito que eu tenha adorado de morte o "Age of Adaline", tenho que ser imparcial.

MENÇÕES HONROSAS: TRUMBO | SLOW WEST | THE BIG SHORT | CRIMSON PEAK | WE ARE STILL HERE | AGE OF ADALINE


.20.. JOY
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Esta biopic de Joy Mangano, inventora real de uma esfregona na qual ninguém acreditava e que se tornou num fenómeno de vendas, é o equivalente a comer uma pizza com atum, frango, quatro queijos e legumes  too much going on. Em menos de hora e meia de filme, o conto de David O. Russell consegue saltar entre o drama social ao conto de fadas (sim, existe uma madrasta e uma meia-irmã invejosa), passando da vertente inspiracional para a comédia romântica, sem qualquer foco de direcção. O resultado é uma valente confusão desarticulada onde o elenco recheado de estrelas (Robert De Niro, Bradley Cooper, Isabella Rossellini, Virginia Madsen e Diane Ladd), é completamente desnecessário. A Jennifer Lawrence carrega o filme sozinha numa das suas interpretações mais honestas da parceria com Russell, o resto são adereços de cena e tentativas de alívio cómico. Prevejo uma nomeação ao Óscar de Melhor Actriz, mas sem qualquer hipótese de vitória.


.19.. The Danish Girl
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

The Danish Girl concentra-se na história de amor do casal de pintores Einar Wegener e da sua mulher, Gerda Wegener, para quem Einar começou a posar para os seus retratos femininos. O que começou por ser uma brincadeira inofensiva, resultou no irreversível aparecimento de Lili, a persona feminina do artista que, entre a década de 1920 e 30, se tornou numa das primeiras pessoas a submeterem-se a uma operação de mudança de sexo.

Para um tema tão controverso e essencial para a sociedade actual, o director Tom Hooper pecou por um certo conservadorismo, chegando mesmo a pensar "é só isto?". Ainda que dentro do mesmo registo narrativo da história de Stephen Hawking, o Eddie Redmayne foi transcendente no papel de Lili. O à vontade e fluidez com que se entregou ao seu lado feminino deverão valer-lhe a segunda nomeação consecutiva ao Óscar de Melhor Actor. Surpreendentemente, o coração d'A Rapariga Dinamarquesa pertence a Alicia Vikander que se está a revelar numa das melhores actrizes da sua geração. A forma honesta e credível como interpretou as diferentes fases emocionais de Gerda até se tornar numa pessoa desesperada e tortuosa também merecem reconhecimento.

.18.. The Diary of a Teenage Girl
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Tal como a maioria dos adolescentes, Minnie Goetze anseia por amor, aceitação e sentir que a sua vida tem um propósito. A jovem inicia um complexo caso amoroso com o namorado da mãe, "o homem mais bonito no mundo", Monroe Rutherford. O que se segue é uma sequência de acontecimentos cómicos, provocantes e até degradantes, do despertar sexual e artístico de uma rapariga, sem juízos de valor.

Passado na década de 70, The Diary of a Teenage Girl deixou-me inquieto. Em primeiro lugar identifiquei-me com alguns dos pensamentos da Minnie  não o facto de estar envolvida com o namorado da mãe , mas por questionar tudo aquilo que não viveu. Este incómodo interno também resulta do trabalho do trio de protagonistas. A Bel Powley foi uma revelação, digna de ser a nova Lena Dunham, a Kristen Wiig volta a surpreender num papel completamente versátil e emocionante, enquanto o Alexander Skarsgård consegue fazer com que um pedófilo seja carismático ao ponto de torcermos por ele.


.17.. The Hateful Eight
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

A oitava obra de Quentin Tarantino é um western cujo enredo gira à volta de um grupo de desconhecidos que se refugiam numa cabana após a passagem de uma tempestade em Wyoming, depois da Guerra Civil Norte-Americana. Durante a estadia, seguem-se revelações que levarão as personagens a destinos trágicos.

Do criador de filmes de culto como "Pulp Fiction" e um dos meus favoritos, "Kill Bill", escusado será dizer que a expectativa para The Hateful Eight era mais que elevada. A assinatura do Tarantino está lá, quer seja na divisão da narrativa em capítulos, momentos de tensão, personagens intrigantes, excesso de sangue e humor negro. A acção limita-se praticamente a um único ambiente cénico (quase faz lembrar uma peça de teatro), tornando a atmosfera muito mais intensa.  Aquela que inicialmente seria a sequela de "Django Unchained", inovou ao recusar o típico modelo de um antagonista, aqui existem oito vilões. Ainda assim, não me convenceu totalmente, talvez por já saber o que esperar. Há que destacar a excelente prestação de Jennifer Leigh que a meu ver já ganhou o Óscar de Melhor Actriz Secundária.

.16.. Bridge of Spies
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Baseado em factos reais, a acção ocorre na década de 50, quando o advogado James Donovan é escolhido pela CIA para defender o caso do espião soviético Rudolph Abel. Donovan consegue convencer o juiz a não condenar o homem à pena de morte, a fim de negociar a libertação de um piloto norte-americano capturado na União Soviética.

Quando vi o trailer fiquei com a sensação que seria mais um filme chato de espionagem. Nada disso. Dirigido por Steven Spielberg, Bridge of Spies é pautado por cores frias que ajudam a compreender o clima de medo constante em que viviam na época. Além do excelente guião, a interpretação de Tom Hanks e Mark Rylance é fantástica. O facto de não se abraçarem ou partilharem quaisquer diálogos sentimentais, e mesmo assim conseguirem transmitir uma relação de confiança e respeito mútuo, é no mínimo comovente. É bom ver que a combinação Spielberg + Hanks ainda resulta!


.15.. Tangerine
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Dirigido por Sean Baker, Tangerine conta a história de Sin-Dee que acabou de sair da prisão, na véspera de Natal, e em conversa com a melhor amiga Alexandra, descobre que o parceiro a traiu durante esses 28 dias. Cega de raiva, sai em busca "da outra" e do namorado infiel, enquanto o taxista Razmik procura os seus serviços sexuais. Simultaneamente somos apresentados ao quotidiano das personagens, presenciando a dura realidade da comunidade transsexual.

Com um estilo de filmagem pouco usual  gravado inteiramente num iPhone  a edição frenética, a banda sonora barulhenta e os diálogos que parecem retirados de um reality show, provam o quão genuína é a interpretação dos actores. Aliás, há que aplaudir a diversidade do elenco ao colocar Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor, duas actrizes transsexuais, como personagens principais. Não nego que seja um filme violento, vulgar, pesado e emocionante, mas é assim mesmo a realidade marginal vivenciada pelas protagonistas que, apesar de tudo, conseguem ser bem divertidas com as suas personalidades exageradas.

.14.. Youth
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Michael Cane interpreta um maestro aposentado que se encontra hospedado num hotel de luxo nos Alpes Suíços com a filha (Rachel Weiz) e um amigo cineasta (Harvey Keitel). Rodeado de pessoas de todas as idades, ele começa a reflectir sobre a sua vida e escolhas, enquanto a filha vive uma desilusão amorosa e o amigo tenta terminar um guião que considera como o seu "testemunho".

Pode ter dividido a opinião em Cannes, mas convenceu-me. Tecnicamente, a fotografia é de cortar a respiração, com uma selecção de paisagens lindíssimas invejável, a edição está bem conseguida e o facto da banda sonora misturar música clássica e pop é no mínimo genial, como se representasse os "jovens" dos "idosos". A essência da história é um pouco deprimente mas é impossível ficar indiferente a uma interpretação propositadamente debilitada de Michael Cane. Os cinco minutos em que a Jane Fonda apareceu foram interessantes, cómicos até, mas daí a valer-lhe uma nomeação ao Globo de Ouro de Melhor Actriz Secundária? Por 5min? Realmente quantidade nem sempre é qualidade.

.13.. Carol
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Baseado no romance "The Price of Salt" de Patricia Highsmith, Carol retrata a história da personagem-título, uma mulher de classe média nos anos 50 em processo de divórcio. Conhece Therese, uma assistente de loja e aspirante a fotógrafa. As duas vão-se aproximando, acabando por viver uma bonita história de amor que vai afectar a vida pessoal de ambas.

Este filme é o sonho molhado de qualquer entrega de prémios: uma obra de época, temática lésbica, e conta com Cate Blanchett e Rooney Mara nos papéis principais. Não é por acaso que recebeu 5 nomeações aos Globos de Ouro. Não me cativou tanto como esperava, mas a química entre as duas actrizes sentia-se através da tela. Alguns aspectos da trama poderiam ser melhor desenvolvidos, mas de uma forma geral, o resultado é satisfatório. Trata-se de um melodrama com uma acção por vezes lenta, e uma narrativa previsível. É de louvar que, tratando-se de duas mulheres, em nenhum momento são objectificadas, muito pelo contrário, são exploradas de uma forma delicada e elegante.

.12.. Me and Earl and the Dying Girl
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Greg é estudante e apaixonado por cinema, que produz paródias de filmes clássicos com o seu único amigo Earl. Decidido a levar o último ano do Secundário no anonimato, evitando interacções sociais, é obrigado pela mãe a fazer amizade com uma colega de turma, Rachel, que tem cancro. Greg só não podia imaginar que Rachel iria mudar a sua vida para sempre.

Logo no início do filme, o protagonista prepara o espectador para o que aí vem: não vai assistir ao cliché romântico do rapaz awkward que se apaixona pela rapariga doente, mas sim à história de como "o meu filme matou, literalmente, uma rapariga". Despido de qualquer estereótipo e com referências fantásticas a clássicos da sétima arte, chorei baba e ranho, só faltou soluçar. Baseado no livro homónimo de Jesse Andrews, que também assina o guião, a adaptação cinematográfica de Me and Earl and the Dying Girl venceu os prémios do Grande Júri e do Público no Festival Sundance 2015.


.11.. 45 Years
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Um casal prepara-se para celebrar 45 anos de casamento quando o passado se intromete com a chegada de uma carta inesperada. Geoff recebe a notícia de que o corpo da sua ex-namorada foi encontrado na Suíça, 50 anos depois da sua queda nos Alpes, e preservado. Juntamente com outra descoberta sobre o passado do marido, Kate começa a ver a sua relação com outros olhos.

Conheço as capacidades interpretativas da Charlotte Rampling através da série "Broadchurch", mas vê-la comandar uma hora e meia de filme é algo de magnífico. Estou rendido. Juntamente com Tom Courtenay, os actores vestem as suas respectivas peles e cumprem na perfeição os seus papéis neste jogo de ilusões. Não fiquem à espera de discussões, a acção consegue ser bem lenta, mas neste contexto resulta. Um dos pontos fortes de 45 Years, é a fiel representação da realidade. Por muito que possa parecer absurdo, já imaginaram estar casados há tantos anos e de um dia para o outro o vosso marido só sabe falar da ex (entre outros segredos...), e altera completamente o comportamento? Não costumo gostar de finais abertos, mas os últimos segundos de filme são incríveis.

.10.. Victoria
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

A viver há pouco tempo em Berlim, na Alemanha, Victoria conhece Sonne, e os seus três amigos, à saída de um clube nocturno. Rapidamente estabelecem uma conexão mas o início do romance é interrompido quando o grupo de rapazes é forçado a pagar uma dívida. Agindo por impulso, a espanhola decide ajudá-los e servir de motorista. O que começou por ser uma aventura tornou-se num autêntico pesadelo.

Não é a primeira vez que a técnica de apresentar a narrativa sem cortes  no ano passado Birdman levou o Óscar de Melhor filme, em grande parte, por esse motivo — é utilizada, mas o cineasta alemão Sebastian Schipper superou tudo e todos com Victoria, e mais de duas horas gravadas num único take! Não consigo sequer conceber o facto da actriz Laia Costa ter conseguido manter-se na personagem durante duas horas seguidas sem uma única pausa, nada! Considerado a "nova sensação do cinema alemão" pelos críticos e vencedor de 11 prémios internacionais, incluindo o Urso de Prata no Festival de Berlim 2015, só há um problema, o guião. Não é a simplicidade, mas o facto da personagem principal aceitar todas as propostas dos rapazes sem questionar nada. "Vamos assaltar um banco, podes conduzir?", "Okay". Não se deixem influenciar por esta particularidade, a direcção do filme está uma autêntica obra de arte. O ritmo com que as cenas da segunda metade se desenrolam, parecem retiradas de um videogame. Não só temos a sensação de estar ali com eles, como a tensão no ar é capaz de fazer o nosso coração parar. Este não é um filme sobre um assalto a um banco, é um assalto a um banco. 


..9.. Sicario
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

"Nada do que vai ver fará algum sentido para os seus olhos americanos, e vai pôr em causa tudo aquilo que fizermos. Mas, no fim, vai compreender." A uns 20 minutos de filme esta frase é dita por Benicio Del Toro, no papel do misterioso "consultor" latino, à personagem de Emily Blunt, a agente do FBI Kate Macer, destacada para uma missão de capturar o líder de um cartel de droga no México. Este é o momento em que percebemos que a emotividade transmitida por Kate não é mais que uma ponte de ligação com o espectador, funcionando como os olhos desta viajem interminável. Sendo a única mulher num mundo de homens, a sua fragilidade não é uma fraqueza, mas sim a demonstração de que é humana. Representa a moralidade que falta aos seus "parceiros" no combate ao narcotráfico, Josh Brolin e Benicio Del Toro — o primeiro é um chefe de operações negligente e sexista, um contraste directo com a personagem de Blunt, o segundo é o anti-herói da trama.

Sicario é frio, calculista, violento física e psicologicamente. Acompanhado de paisagens assombrosas entre Arizona/México e com a banda sonora composta por Jóhann Jóhannsson (indicado ao Óscar em 2015 por The Theory of Everything), simplesmente arrepiante, é uma das melhores apostas dentro do género "Zero Dark Thirty", dos últimos tempos.


..8.. The Martian
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Inspirado no best-seller homónimo de Andy Weir, The Martian, relata a história do astronauta Mark Watney que na primeira missão a Marte, é vítima de uma forte tempestade que o impede de se juntar aos colegas na evacuação de emergência. Dado como morto, sozinho, sem alimentos e sabendo que tem que esperar quatro anos para um possível salvamento, Watney tentará fazer de tudo para se manter vivo. Como ele mesmo diz, "I'm gonna have to science the shit out of this".

Sendo um fã dos trabalhos de Ridley Scott, as minhas expectativas eram altíssimas e, embora tenha gostado, senti que poderia ter sido melhor, é um pouco previsível. A fotografia, edição e efeitos especiais são óptimos, assim como a banda sonora repleta de clássicos disco (ABBA, Donna Summer, Gloria Gaynor), funciona como uma piada recorrente ao longo do filme. Não me incomoda que a comédia esteja tão presente na história. Numa produção do género "tirem-me daqui" é refrescante optarem por uma abordagem cómica em vez de dramática. 


..7.. The Lobster
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Num futuro próximo onde é proibido estar solteiro, homens e mulheres que fiquem sozinhos são enviados para um hotel onde permanecem 40 dias. Durante esse período vão ter que encontrar uma cara-metade e evitar serem transformados num animal à sua escolha. É neste ambiente absurdo que conhecemos David, um homem viúvo que pretende evitar tornar-se numa lagosta.

Quem não tenha visto o filme e ler a sinopse vai pensar what the hell, mas asseguro-vos, esta obra do grego Yorgos Lanthimos é absolutamente sensacional e irreverente. A acção divide-se em duas secções, a primeira passada no hotel que serve de speed-dating forçado para que as pessoas encontrem um parceiro. Esta parte é uma reflexão satírica à sociedade, sobre a obsessão da família vs. a desonra de ser solteiro. A segunda secção mostra-nos como é que os que se recusam a estar numa relação, fugitivos do hotel, vivem na floresta. O problema é que se no espaço anterior existiam inúmeras regras de conduta, no exterior elas são ainda piores. Depois de várias peripécias, David acaba por se juntar aos foragidos e quebra a regra principal: apaixonar-se. O castigo da líder da facção é algo... bizarro. Lobster leva a taça para a narrativa mais criativa e interessante!


..6.. Spotlight
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

O caso Spotlight conta a história verídica da investigação realizada pelo Jornal Boston Globe em 2002, e premiada com o Prémio Pulitzer, que viria a abalar a cidade e causar uma crise numa das instituições mais antigas e credíveis do mundo. Quando uma equipa de jornalistas investiga as alegações de abuso sexual a menores no seio da Igreja Católica, acaba por descobrir décadas de encobrimento aos mais altos níveis das instituições de Boston - tanto religiosas, como legais e até mesmo do governo, desencadeando um efeito dominó de revelações por todo o mundo.

Apontado como um dos potenciais vencedores na próxima edição dos Óscares, esta obra de Thomas McCarthy é igualmente fascinante e perturbadora. Com nomes de peso como Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo no elenco principal, chega a ser complicado perceber quem são as personagens principais e as secundárias. Apesar de Ruffalo e Keaton terem mais tempo de antena, todos os elementos têm funções chave no desenvolvimento da acção. A longa-metragem brilha ao ser uma adaptação fiel e emocionante sobre um dos casos jornalísticos mais marcantes da história. O espectador fica de tal modo envolvido na trama que nem dá pelas duas horas de duração passarem. Não que concorde, mas algo me diz que Spotlight levará a estatueta de Melhor Filme para casa.


..5.. Ex_Machina
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Caleb, um programador, vence uma competição cujo prémio é passar uma semana no refúgio privado do CEO Nathan. Chegando ao local, o jovem de 26 anos percebe que está ali como cobaia e a sua função é interagir com a mais recente criação de Nathan: um "robot" de última geração com inteligência artificial. Dentro do corpo de uma bela e sedutora figura feminina, Ava consegue agir, sentir e expressar-se. Embora tenha total consciência de que não passa de uma máquina pré-programada, Caleb começa a sentir-se atraído por ela. Conforme vão sendo reveladas mais informações sobre o projecto, o programador coloca em causa as reais intenções da experiência, assim como as suas implicações éticas.

Do ponto de vista narrativo, os diálogos bem construídos enaltecem a cumplicidade entre as duas oposições de matéria em destaque, a carne e o sintético. Para os mais atentos, as conotações religiosas e filosóficas são no mínimo geniais. Desde o nome do andróide Ava (evidente alusão bíblica a Eva), ao próprio título do filme. "Deus ex machina" é uma expressão com origens gregas que basicamente significa "Deus surgido da máquina" (Caleb chega a comparar o trabalho de Nathan ao de um Deus). O papel de Alicia Vikander como Ava, uma obra ainda em fase experimental, foi bastante convincente.

..4.. Room
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Jack acaba de completar cinco anos e vive com a mãe num quarto de 10 metros quadrados. A rotina do menino consiste em ver televisão, ler e sonhar. Para a sua mãe a realidade é bem diferente. Sequestrada quando tinha apenas 17 anos, abusada regularmente pelo homem que arruinou a sua vida e ao mesmo tempo gerou a criança que se tornou no motivo dela continuar viva. A mãe esconde do filho o verdadeiro motivo pelo qual os dois estão ali trancados, mas isso está prestes a mudar.

Até me custam a sair as palavras para descrever este filme. Vê-lo é uma experiência única e atordoante. Perante certas situações que nos provocam sentimentos de raiva, dor, angústia e até nojo, a sensação com que fiquei foi a de ter levado um murro no estômago. Tudo isto só é possível graças à interpretação sem uma única falha, de Brie Larson, a futura vencedora do Óscar de Melhor Actriz, é que nem sequer está em causa o contrário. Ver o desgaste daquela mãe, claramente visível na cara da actriz, é arrepiante. A credibilidade que ela dá à personagem chega a ser desconcertante. Mais surpreendente ainda é o grau elevadíssimo de qualidade do jovem actor Jacob Tremblay com apenas 9 anos. Ele é de tal modo convincente que era capaz de lhe entregar o Óscar de Melhor Actor Secundário sem pensar duas vezes. Não me vou alongar mais porque estou a tentar não revelar demasiado, mas aconselho-vos vivamente a verem esta brilhante história.


..3.. The Revenant
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Baseado na obra homónima de Michael Punke, The Revenant conta a história verídica do famoso explorador Hugh Glass do século XIX que após escapar de um ataque índio durante uma expedição no interior norte-americano, é atacado por um urso. À beira da morte, é abandonado pelos seus companheiros e presencia ao assassinato do seu único filho. Guiado por uma enorme sede de vingança contra o culpado, John Fitzgerald, vai enfrentar um inverno vigoroso, em busca de sobrevivência e redenção.

Desde os inúmeros boatos que envolvem as exigências do director Alejandro González Iñárritu, às declarações de DiCaprio de que este seria o "trabalho mais difícil da sua carreira", The Revenant tem-se revelado um dos mais fortes concorrentes na corrida aos Óscares. Sim, plural, porque tanto o filme, como a fotografia absolutamente fenomenal de Emmanuel Lubezki (Tree of Life, Gravity gravado exclusivamente com luz natural , como a interpretação de Leonardo DiCaprio merecem ser recompensadas. Se em anos anteriores considerei que o actor norte-americano merecia ganhar, agora não existem quaisquer dúvidas. A única pessoa capaz de rivalizar a sua performance é Eddie Redmayne em The Danish Girl, mas visto que ele já ganhou no ano passado, c'mon Leo! Que a maldição seja finalmente quebrada e um dos melhores actores de Hollywood presenteado pelo seu trabalho mais cru, honesto e emocionante de sempre.


..2.. Brooklyn
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Elis Lacey, uma jovem imigrante irlandesa, vai em busca do sonho americano e muda-se para Brooklyn, em 1950. As iniciais saudades que a mantinham acorrentada à mãe e irmã diminuem quando se apaixona por Tony, um canalizador italiano. Abruptamente o passado de Elis bate à porta e ela terá que escolher entre dois países e as vidas que cada um oferece.

Dirigido por John Crowley e escrito por Nick Hornby com base no best-seller homónimo de Colm Tóibinm, Brooklyn é um lindíssimo e emocionante drama histórico protagonizado pela magnífica Saoirse Ronan (The Great Budapest Hotel), que transmite na perfeição a inocência e auto-confiança necessárias à personagem. Inicialmente temi ser um romance lamechas como tantos outros, mas não, é muito mais do que isso. Ainda nem tinha passado meia hora e já estava com a lágrima no canto do olho. Por entre a magia de New York dos anos '50, à relação genuinamente ternurenta com o Tony, fiquei completamente envolvido na história. Não sou propriamente o maior fã de romances, mas quando uma produção consegue os combinar os ingredientes de maneira correcta (ao contrário do Joy), o resultado pode ser perfeito.


..1.. Mad Max: Fury Road
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Vou ser honesto e dizer que antes de o ver, em Julho, não dava nada por ele. Não sei se pela temática apocalíptica (já tão saturada), ou se por pensar que se tratava apenas de uma histótia sobre corridas de carros. Santa ignorância. O certo é que quando terminei Mad Max: Fury Road a minha opinião manteve-se intacta até agora: é o melhor filme do ano!

A trama gira em torno de Mad Max (Tom Hardy), um polícia renegado num mundo regido pela lei do mais forte. Num futuro pós-apocalíptico, Max acaba por se juntar a um grupo de rebeldes, liderados pela "Imperatriz" Furiosa (Charlize Theron), uma mulher corajosa que anseia poder mudar a vida das pessoas. Este grupo, em fuga da cidadela tiranizada por Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), libertou um grupo de mulheres escravizadas que levou consigo. Sedento de vingança e determinado a recuperar cada uma das prisioneiras, o vilão dá início a uma implacável perseguição.

Embora a escolha de Hardy tenha sido acertada, não existem dúvidas de que o filme pertence à Charlize Theron, a verdadeira e merecedora protagonista. Têm noção do quão importante é na indústria cinematográfica, que continua a reduzir as mulheres a meras personagens secundárias ou totalmente clichés, e colocando sempre o homem como figura central, um blockbuster ter uma mulher como personagem principal?  É mais raro que água no deserto.

Com a realização, produção e argumento de George Miller  o criador da trilogia original da década de 80, e que deu a Mel Gibson o reconhecimento internacional  é importante entender que a beleza de "Fury Road" não assenta somente no facto de estar recheado de acção. Ao contrário de outras produções do género, por exemplo os "Avengers", aqui prima o realismo. Miller evitou ao máximo a utilização de efeitos especiais, resultando em sequências absolutamente incríveis e brutais.

Um crítico disse-o melhor que eu: "Em 2015 nenhum filme definiu e desafiou o cinema actual como Mad Max: Fury Road, uma obra-prima capaz de olhar para o passado enquanto mostra ao público o futuro."


Já viram alguns destes filmes? Qual ou quais foram os vossos favoritos de 2015?

19 comentários:

  1. Ainda não vi nenhum deles mas quero ver todos, desesperadamente! É este ano que dou a minha full opinion nos filmes que acho que devem ganhar um óscar. Quero todos os anos fazer isso e nunca consigo ver todos!

    Marli, do My Own Anatomy ✫

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  2. Este ano foi meio corrido e infelizmente não fui tanto ao cinema quanto era costume... Mas agora que estou com mais tempo livre que a minha querida avó que está reformada, vou aproveitar e ver algumas das tuas sugestões!!! :p
    Nice Post*

    Beijinhos

    P.S.: Quando lançar o meu super negócio de quadros para rolhas envio-te um email com tamanhos e valores :p

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  3. Vi o Fury Road no cinema contrariada. Mas contrariada mesmo, ahah. Geralmente sou bastante imparcial e consigo distinguir aquilo que eu gosto daquilo que é bom. Por exemplo, lembro-me de ter comentado aqui no teu blog que, apesar de não gostar do La Vie d'Adèle, reconheço sem reservas que é um bom filme. Mad Max (para além de ser o total oposto daquilo que gosto, porque sou uma menina-menina e prefiro filmes mais cor-de-rosa) é, na minha opinião, medonho e embrutecedor. Se o futuro do cinema passa por blockbusters deste género, a capacidade do público para gostar de filmes excelentes do género do Citizen Kane ou Vertigo vai-se perder.

    Dessa lista, o meu preferido é o Ex Machina. Não sendo uma obra de arte, faz pensar, e eu vi-o com entusiasmo redobrado porque está relacionado com o tema da minha tese de mestrado. Quero muito ver The Lobster, acho a premissa intrigante! Brooklin, Carol e The Danish Girl são, sem dúvida, o meu tipo de filme.

    Perdida em Combate

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    1. Não me parece que uma coisa tenha a ver com a outra. Da mesma maneira que gostas de filmes de "menina" e mesmo assim conheces obras como Citizen Kane, o mesmo pode acontecer com adeptos de outros géneros cinematográficos. Pessoalmente prefiro dramas (basta ver 80% do top 20), não sou fã de filmes de acção, no entanto sei dar o devido crédito quando é merecido.

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  4. Até parece que leste o meu tweet. Estava mesmo a precisar de sugestões de filmes.
    Room vi ontem. Adorei! Tão real, os actores fizeram um óptimo trabalho.
    Acho que vou ver Spotlight pareceu-me ser um bom filme.

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    1. O "Room" está mesmo fantástico, além de ser uma história comovente, os actores são de longe o ponto mais forte da produção. Espero que gostes de "Spotlight"!

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  5. Nossa, você assistiu filmes que estão fora dos holofortes! Adorei!
    Vou permanecer aqui por que me interessei muito pelo seu gosto e gostaria de conhecer um pouco mais sobre cinema cult (:
    | A Bela, não a Fera |
    | FB Page A Bela, não a Fera|

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  6. Dos vinte filmes de que falas, só assisti apenas a dois. Mas adivinha, como sempre, plantaste a pulga atrás da minha orelha e facilitaste ainda mais o crescimento da minha lista de filmes a ver neste ano.

    avidadelyne.blogspot.com

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  7. Oi, oi!

    Vi alguns da tua listinha, mas nenhum me deixou tão feliz quanto "Victoria". Achei a produção muito bem feita e bolada.

    Outro que me chamou muito a atenção foi "Brooklyn". Adorei ele.

    Não me venha com desculpas

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  8. Ando com vontade de ir ver o 19, mas ainda não arranjei quem quisesse vir ver comigo.
    O Joy, se for ver, será apenas pela Jennifer. Não achei a história assim nada de especial :/
    Os outros confesso que não conheço. Eu sei, shame on me...
    Só por isto, este é dos melhores blogs para quem quer ver algo de novo :D Continua! Costumo passar por aqui quando quero ver um filme que ainda não vi :)

    um beijinho*
    Dreams and Lemonade

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    1. Muito obrigado! Fico feliz que gostes das minhas sugestões :)

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  9. Ainda não vi nenhum deles, mas há alguns que desejo ver. Vi apenas o Age of Adeline. 2015 foi o ano das séries e 2016 espero que seja o ano dos filmes.

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  10. Não devia ter lido este post porque agora quero ver todos os filmes (principalmente o Ex-machina)e não posso porque estou em época de exames :)
    Mas garanto-te que daqui a uma semana volto aqui e vejo alguns dos filmes que recomendaste, obrigada !

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  11. Só vi um da lista, mas 14 dos que mencionaste despertaram-me interesse e já se encontram na minha watchlist.

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  12. É nestas alturas que penso que andei a dormir o ano inteiro... Ainda não vi um único filme dos mencionados e quero muito ver The Danish Girl e The Renevant.

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  13. Excelente post! Isto é serviço público! Parabéns pela trabalheira!
    Já vi alguns e os outros à medida que vão aparecendo, também vou ver.

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  14. Acabei de guardar esta publicação nos favoritos. Tens alguns filmes aqui que eu quero ver, assim ficam todos guardados e aguardam que eu tenha tempo para eles.
    Beijinhos*

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  15. Da tua lista infelizmente ainda só vi o Me and earl and the Dying Girl..
    Mas tens aqui uma óptima lista.. e quero muito ver a maioria deles..

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  16. Desta enorme lista ainda só vi "A rapariga dinamarquesa" está forte, poderoso, mas senti que podia estar melhor :)
    Quero muito ver a prestação tão falada de Leo Dicaprio e os que mais me chamam para ver são: "Brooklyn", "Carol" e "Joy" :)

    http://gestoolharesorriso.blogs.sapo.pt/

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