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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Review | Marvel's Jessica Jones


As adaptações cinematográficas da Marvel costumam partir de uma origem obscura, mas verdade seja dita, a causa para os lucros astronómicos de bilheteira deve-se ao fascínio pelas cenas de luta, explosões e aventura, não pela veia dramática. Quando a Netflix resolveu entrar no universo dos super-heróis com uma abordagem completamente diferente, fez-se magia. Lançado em Abril deste ano, Daredevil, mostrou-nos um ângulo refrescante: muitas vezes os heróis falham, mas são as pessoas à sua volta que têm que viver com as consequências. Com um protagonista mais humano e uma narrativa matura/violenta, o casamento Netflix + Marvel conseguiu gerar uma das séries de maior sucesso dos últimos tempos.


Jessica Jones, o segundo projecto do grupo de BD em parceria com o serviço de streaming, ocorre no bairro de Hell's Kitchen, New York, onde se passa acção de "Demolidor". Seguindo a mesma linha conceptual do anterior, não contem com enredos superficiais para serem acompanhados com pipocas. A narrativa é extremamente obscura, uma vez que trás à tona outro tipo de violência e bem mais real, como por exemplo, abusos sexuais. Jones acompanha a personagem título, uma super-heroína reformada que sofre de stress pós-traumático devido a acontecimentos trágicos do seu passado. Ela passa a usar os seus dons para trabalhar como detective particular, e quando é contratada para encontrar uma estudante desaparecida, as suas investigações levam-lhe até ao homem que quase destruiu a sua vida.


O tema central da série é mesmo esse, trauma. Todas as personagens, incluindo os maus da fita, têm que lidar com danos emocionais. Temos a Trish Walker (Rachael Taylor), a melhor amiga e confidente da Jessica; Jeri Horgath (Carrie-Anne Moss), a advogada implacável que fornece casos para a Jones investigar; Will Simpson (Will Traval), um polícia com um passado secreto; e ainda o Luke Cage (Mike Holter), um empregado de bar fora do comum. Fiquei genuinamente satisfeito por cada uma destas personagens ter a chance de brilhar por si só. A relação entre elas e a protagonista é bastante complexa e a forma, por vezes lenta, com que a acção decorre, vai soltando pistas sobre as histórias individuais destes elementos de maneira a se interligarem organicamente com a Jessica, e consequentemente, com cada revelação.


Um dos factores que mais me agrada neste "thriller psicológico" é o facto de ser liderado por núcleo feminino forte e deixá-lo brilhar de uma forma que a Marvel nunca antes permitiu — a diferença de tratamento e importância da Black Widow (Scarlett Johanson) em relação aos restantes membros da equipa de "Vingadores", é chocante. Apesar desta adaptação televisiva não ser tão sangrenta como Daredevil, é psicologicamente brutal, especialmente com o sexo feminino. Sem querer revelar spoilers, logo no início a série mergulha de cabeça em questões como agressão sexual, abuso e até violação. 

Contra adversidades e independentemente dos traumas que sofreram, as mulheres de Jessica Jones são constantemente representadas de maneira segura e como donas do seu próprio destino. A própria personagem principal é uma mulher como tantas outras, luta contra o passado e está em busca de um futuro melhor. Fugindo à imagem estereotipada das heroínas com fatos de látex e decotes ousados, ela prefere calças de ganga e sapatos confortáveis. Vive um dia de cada vez; tem contas para pagar e como ela própria diz, "dinheiro compra-te uísque". A beleza desta produção é que podemos retirar os "poderes" da equação e mesmo assim ter uma história profunda e interessante sobre uma mulher a lidar com demónios pessoais e forçada a confrontar o homem que assombra os seus sonhos.

Interpretar uma alcoólica traumatizada, cínica e com e super força, não é tarefa fácil, mas a Krysten Ritter deu conta do recado de maneira sublime. A actriz consegue transmitir a vulnerabilidade e complexidade da heroína com elegância, permitindo que a dor da personagem esteja presente mas sem prejudicar a sua missão de proteger quem lhe é próximo. Igualmente brilhante é a prestação notável de David Tennant (antigo Doctor Who), como o terrível vilão Killgrave. Arrisco-me a dizer que este antagonista possa ser um dos mais desconcertantes do universo Marvel. Não lhe interessa acabar com o universo, a sua missão é muito mais assustadora por ser algo tão pessoal e real. O "Homem-Púrpura" (em português), é um sociopata que manipulou e abusou da vida da Jessica, das piores formas possíveis. Com o poder de controlar a mente das pessoas, ele é cruel, malicioso, sarcástico e obcecado pela protagonista. O Tennant foi tão convincente que era impossível desviar o olhar quando entrava em cena.

Após a visualização dos 13 episódios resta saber: Qual é melhor, Daredevil ou Jessica Jones? A resposta é muito mais complicada do que parece, ainda para mais quando se é fã das duas como eu. Decorrem no mesmo ambiente, são protagonizadas por dois dos heróis mais trágicos do mundo da banda desenhada, e até partilham uma personagem entre elas, mas acabam por ser dois lados da mesma moeda. Na primeira acompanhamos o caminho heróico de Murdock até se tornar no destemido "Demolidor", enquanto em Jessica Jones, vemos os estragos e consequências da vida pós-heroísmo. Se estiverem à espera de cenas de luta fantasticamente elaboradas como as de Matt Murdock, vão ficar decepcionados, mas se preferirem uma história com mais marcante, Jessica Jones é a melhor opção. Correndo o risco de ainda estar sob o efeito de excitação por ter terminado a temporada na semana passada, ganha a segunda.


Quem quiser seguir a ordem cronológica das séries da Marvel deverá começar pela vida de Matt Murdock (Daredevil). No próximo ano chega a segunda temporada do herói cego e a primeira de "Luke Cage", cujo protagonista se envolve com Jessica. Ainda sem data marcada, virá "Iron Fist" e "Defenders", uma série que reunirá os quatro super-heróis mencionados.

Classificação Ghostly Walker: 9/10

Já viram a Jessica Jones? Ficaram curiosos?

16 comentários:

  1. Heey!
    Eu adoro essas séries da Marvel que a Netflix e outras produtoras gravam. São simplesmente ótimas ♥♥
    Estou louco para assistir Jessica Jones e creio que vou gostar muito ^^
    Abraços!
    Blog - Desbravando o Infinito

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  2. Estou mesmo muito curioso com a série e nem sou fã de super heróis. Já a tenho no computador, espero ter tempo brevemente para acompanhar :)

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  3. Eu não gosto de nada de super-heróis mas falaram que esta série é muito terra a terra e por isso já a tenho. Vou ver no fds.

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    1. Embora ache piada a um ou outro, nunca fui um fã extremo de super-heróis, pelo menos dos actuais. A série é fantástica porque apesar de sabermos que a protagonista tem "poderes", raramente os utiliza, o que só a torna mais humana. Depois quero saber o que achaste!

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  4. Todo mundo tá falando taaaanto desse seriado que estou quase parando meu New Girl para começar a assistí-lo e_e
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  5. Que incrível esse post, super bem explicadinha! Estou completamente apaixonada pela série, e olha que só vi 5 episódios, estou assistindo bem devagar porque tô com pena de acabar hahaha Beijos, parabéns pelo texto ;)

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  6. Comecei a ver a série "The Fall" por sugestão tua... acho que também vou seguir o teu conselho no que a esta diz respeito!

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    1. Yay, fico feliz por teres ficado interessada com as minhas sugestões! Espero que estejas a gosta de "The Fall" :)

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  7. Ainda não vi, mas agora fiquei mesmo interessada! Comecei a ver filmes da Marvel recentemente, quase quase fui coagida pelo meu namorado para ver xD Excepto X-Men (por razões óooobvias =D), nunca tinha dado importância às histórias da Marvel.
    Acho que essa nova abordagem muito interessante, porque não é a típica história de super-heróis que vão salvar toda a gente e serem muito "fitxes". Sim, reparei que ninguém quer saber da Black Widow, expecto quando o câmara faz "close up" no rabo ou no decote dela. A vertente humana foi precisamente o que me fez adorar "Firefly" (não é de super-heróis, nem da Marvel, mas é sci fi). E se tem o David Tennat, vale a pena ver ^^
    ***

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  8. Marvel é fantástica em tudo o que faz. De séries aconselho vivamente Agent Carter se ainda não a viste. Daredevil e Jessica Jones infelizmente ainda não vi! Shame on me... No Natal espero fazer um update :)
    Entrar num blog e ter um post da Marvel é quase certo ser um bom blog! Do que andei a ver gostei muito e identifico-me bastante. Ah, a tua página do about está qualquer coisa!

    Beijinhos,
    Joana

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    1. "Conheço" a série mas nunca vi por ter imenso medo que seja do mesmo género de "Arrow" e "Flash" que só pelos trailers e actores me deixam agoniado haha.

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    2. Espero que tenhas repensado ver Agent Carter. É que não tem nada a ver com essas duas. É fantástica e super engraçada, para além de elegante (sim, é uma série elegante. :)). Foi a maior facada no meu coração, quando foi cancelada.

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  9. Concordo com cada ponto que escreveste! Acho a serie realmente boa!

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  10. Não conheço essa série, mas pela postagem fiquei com muita vontade de assistir. Assim que tiver um tempinho irei dar uma olhada :)
    Obrigada por comentar no meu blog!

    http://colorful-mushrooms.blogspot.com.br/

    Beijoos ;*

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  11. epaaaaaaaa... eu sou assim pro geek e estava bastante renitente relativamente à jessica jones mas fiquei maravilhosamente surpreendida :D

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  12. Olá, gostei muito da review...confesso que sou fã das 2 séries, a parceria da Marvel com a Netflix, foi uma das melhores coisas que aconteceu no mundo das séries. Mas entre as duas, prefiro o Daredevil, só por uma simples razão, as cenas de acção e luta :)

    http://sensations-blog.blogspot.pt/

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Obrigado pela leitura e comentário!
Eventuais questões serão respondidas aqui, na respectiva publicação.

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