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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Paranóico ou cauteloso?


Posso estar enganado, mas arrisco-me a dizer que já todos chamámos ou fomos chamados de paranóicos em algum momento da nossa vida. A verdade é que esta expressão é frequentemente utilizada de forma banal e muitas vezes erradamente. Quando pensava que os meus dias de "estás a ser paranóico" tinham terminado, não é que volto a ouvir o mesmo?

Para os que, tal como eu, são um pouco leigos nestas questões psicológicas, a infopédia define paranóia como uma "perturbação mental que se caracteriza pela tendência para a interpretação errónea da realidade em consequência da susceptibilidade aguda e da desconfiança extrema do indivíduo, que pode chegar até ao delírio persecutório". Isto trocado por miúdos significa que se trata da desconfiança ou suspeita exagerada ou injustificada, podendo chegar ao ponto da irracionalidade e ilusão.

É importante compreender que a simples desconfiança não é considerada paranóia  especialmente se for fundamentada numa experiência passada ou em expectativas baseadas em experiências alheias. Boas notícias Taylor Swift! É melhor estar calado senão ela ainda me apaga o blogue.

Brincadeiras de parte, tenho que admitir que às vezes questiono a minha sanidade mental. O meu cérebro está em alerta constante. Quando viajo de comboio sento-me sempre nos lugares junto da janela com a indicação "partir em caso de emergência". Porquê? Ora, porque se acontecer algum acidente quero tentar escapar! Calma que há mais. Na semana passada fui a Lisboa ao início da tarde, resultado, a minha carruagem ia vazia. No início é muito divertido, mas estação após estação e ao ver que continuava a ser o único passageiro, comecei logo a imaginar mil e um cenários sangrentos na minha cabeça. Fiquei de tal maneira assustado com a possibilidade de entrar por ali um homem com uma arma e eu, estando sozinho, não ter por onde me esconder/escapar, que tive um ataque de pânico. "Posso tentar dar um pontapé com força na janela, mas será que parte?" ou "E se eu correr muito depressa e aos ziguezagues de maneira a ele não me conseguir acertar?" eram alguns dos meus elaboradíssimos planos de fuga. 

Se à noite estiver a andar num local isolado e calhar de ter o meu guarda-chuva comigo, podem ter a certeza que os meus neurónios, nada criativos, estão a equacionar infinitas sequências de luta e defesa. A minha namorada é testemunha, se por acaso passarmos por uma zona mal frequentada, digo-lhe sempre "ainda bem que trouxe o umbrella como se estivesse a compará-lo a uma excalibur  e ela olha para mim com um misto de pena e vontade de rir. 

Apesar de ter esta veia dramática desde muito novo, sinto que está a piorar com a idade. Estou tão habituado a que a minha namorada me ligue para lhe fazer companhia quando sai do ginásio, que se não acontecer, fico logo preocupado a pensar que lhe aconteceu alguma coisa. Normalmente ou foi assaltada, atropelada ou raptada. Só coisas boas. 

Em entrevista à VISÃO o psicanalista, Stephen Grosz, explicou que "a paranóia é uma defesa contra o sentimento de que ninguém pensa em nós. Por mais trágico que seja sentirmo-nos traídos, perseguidos ou não gostados, é sempre melhor do que a ideia de não estarmos no pensamento de alguém. Essa tendência evidencia-se à medida que se envelhece." Bem, estou oficialmente deprimido. Ao menos parece que tinha razão quanto à questão da idade.

Lamento imenso mas aquilo que chamam de paranóia eu chamo de cautela. Tenho a perfeita noção que os episódios (acreditem que são uma pequena amostra) que vos contei são ridículos, mas fico genuinamente transtornado com a possibilidade de se realizarem. Por muito absurdo que seja, prefiro estar preparado para uma tragédia que andar feliz e contente e zás! Desde que não chegue ao ponto do Mr. Robot (personagem de uma série homónima), está tudo bem.


Também têm este tipo de pensamentos ou sou o único? Alguma vez se consideraram paranóicos?

21 comentários:

  1. Sou um bocadinho assim e identifiquei-me na parte da carruagem vazia. Começo logo a fazer filmes. O mesmo acontece quando ando na rua sozinho, à noite. Se tiver luz tudo bem, mas se houver um cantinho mais escuro fico logo em alerta xD Mas acho que ao contrário de ti vai diminuindo com a idade. Pelo menos acredito e espero que se confirme.

    ps: adorei as indicações da Tay e do Mr. Robot xD Só tu!

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  2. Eu só penso nesses cenários às vezes! Tenta relaxar, rapaz, se não ainda morres é de ataque cardíaco e ninguém quer isso! :P

    http://rapazdobuzio.blogspot.pt/2015/11/guess-word-halloween-challenge.html

    I posted a new video in english, please watch it and if you like it, give it a thumbs up! :)

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  3. Às vezes uma mulher sai do ginásio a correr para entrar no autocarro... só isso. Mas nada temas, de hoje em diante envio uma sms a dizer "estou viva", quando não a receberes é melhor ligar para a psp.
    Acho que já te disse isto mas és sem dúvida a pessoa mais paranóica que existe. Vês maldade e perigo em tudo enquanto eu viajo de unicórnio pelo arco-íris alado da vida. Sinceramente nem sei quem é mais delusional afinal.

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  4. Não és o único. Então essa do chapéu de chuva é uma constante por aqui. Quando estou sozinha na rua, sobretudo à noite, é ver-me a agarrar com toda a força o cabo do mesmo. Ou estar com os auriculares nos ouvidos, sem estar a ouvir o que quer que seja, e ao ver alguém cruzar-se no meu caminho, fingir que estou a falar com alguém a dizer-lhe onde estou, etc. Ridículo, agora que penso nisso, mas no momento sei que é um mecanismo de defesa. Nem que seja uma tentativa de defesa contra mim mesma...

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  5. Eu sou assim dependendo dos dias. Há momentos em que tenho de reservar um tempo pras coisas, porque caso contrário, começo a entrar em histeria total (e a cena é que é uma histeria interior, o que faz com que eu acumule bastante stress). E sou como tu, quando me encontro numa situação sozinha, a imaginar mil e uma maneiras de me defender e escapar. Sempre que estou a caminho de casa à noite, tenho sempre o hábito de enrolar o porta chave na mão, encaixando as chaves na palma da mão, pró caso de alguém se atrever a aparecer. E às vezes tenho sempre a sensação de que alguém está a seguir-me. E quando os meus pais se atrasam uns minutos depois do trabalho, imagino já os mais macabros cenários.
    E é como afirmas, às vezes nem é paranoia nem maluquice. É mesmo aquele instinto de sobrevivência a chamar por nós e pela cautela.

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  6. Sou mesmo desconfiada e paranóica, acho que todos temos um pouco de paranoia em nós. Um dia estava com a sensação de estar a ser perseguida e vim o caminho todo a pensar "ainda bem que trouxe as minhas botas de biqueira de aço", esquece lá isso, fui realmente atacada, entrei em pânico, fiquei imóvel e só consegui gritar por isso não te fies no umbrella.

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  7. Tens de fazer ioga ou algo assim para relaxares mais, hehe.

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  8. Percebo a 100%. As cenas de luta na rua estão mais que mentalmente treinadas, mas com as chaves de casa como arma. Agora a paranóia master é no cinema. Eu adoro ir ao cinema, mas cada vez que me sento numa cadeira imagino que alguém me estrangula. É irritante e perturbador, mas bem, cada cabeça é um mundo!

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  9. Eu faço isso de criar cenários (em que mais ninguém pensaria) com "eventos" futuros e até com coisas que já aconteceram, mas é mais relacionado com a ansiedade do que com paranóia xD

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  10. Já fiz inúmeras vezes a mesma coisa que você! xD
    Já criei algumas cenas na minha cabeça de coisas que poderiam acontecer e como eu reagiria. Na maioria das vezes seria impossível, levando em conta a situação, uma das coisas que eu imagino acontecer. A imaginação da gente é mesmo muito louca e confusa!
    Acho que todos nós temos um pouquinho de paranóia, mais bem pouco, porque somos controlados. Eu me considero desconfiada, e MUITO. difícil um momento em que eu não esteja desconfiada de algo ou de alguém rs vai entender... Beijos ~

    sonho-oriental.blogspot.com

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  11. E como todas essas experiências não são consideradas paranóia, tenho a dizer-te Ricardo que não estás nisso sozinho LOL quase toda a população se não estiver distraída com outras coisas, acaba por pensar nessas e noutras tantas situações (boas ou más) :P

    *XoXo
    Helena Primeira
    Helena Primeira Youtube
    Primeira Panos

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  12. Bom, os meus pensamentos não passam por algo tão sangrento mas sou desconfiada. Tenho sempre um olho mais aberto que o outro :)

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  13. olá,
    Ai caramba, você é ótimo. Claro que um guarda-chuva vai ser super útil se um ladrão tiver uma arma, rsrs. Mas não custa tentar, não é mesmo? Gostei muito do texto, eu mesma sou super paranoica.
    Beijos.
    Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

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  14. Acho todos nós temos uma boa dose de paranoia... espero eu :x para não ser a única lol

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  15. Acho que nunca foi assim paranóica, gosto apenas de observar as coisas de modo a depois expressa la em desenhos, gostei da cena com o umbrella.
    http://retromaggie.blogspot.pt/

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  16. Muito obrigado! É! Eu também tenho imensa pena que o Halloween não seja tão valorizado aqui no país!
    Ahah compreendo-te! Eu como vim da ilha para uma cidade também já tive pensamentos como "vão violar-me" "vão tirar-me os rins e vender no mercado negro" é... ahah

    http://photographybyvania.blogspot.com/

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  17. Consigo-me identificar com a essa da umbrella em zonas mal frequentadas, principalmente quando vou sozinha posso-te garantir que vou com os sentidos todos em alerta. Mas acho que isso é normal, ainda por cima com todas as notícias ridículas que ouvimos.

    R.: Pega na tua namorada e vão ao Porto, vão-se divertir imenso, se forem lá para fevereiro têm bons preços de avião :)

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  18. Também me identifico com essa "cautela". Nas noites de Verão, quando ando sozinha, passeio-me com uma garrafa cheia de água gelada na mão. Ou dou uma marretada, ou lanço um duche em direcção os possíveis atacantes. No Inverno, faço tal e qual o que descreves. E, para mim, todos os bairros são "suspeitos".

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  19. Gostei imenso deste post!
    Achei super interessante e dá para sentir na escrita o que sentes quase ao pormenor :)
    Acho que tenho algumas paranóias. Às vezes quando calha dormir em casa sozinha, já houve casos em que ia à cozinha buscar uma mega faca e dormia com ela debaixo da cama, ao alcance da mão (durmo num beliche e a cama de baixo é baixinha), porque à noite tudo estala e eu tenho uma imaginação para lá de fértil. O telemóvel também fica sempre ligado e debaixo da almofada. Ultimamente já tenho dispensado a faca (porque enfim por amor de Deus, Inês!!!), senão qualquer dia ainda tenho uma caçadeira e não pode ser :P
    A do chapéu de chuva, nunca tinha pensado nisso, mas adorei a sensação de se estar protegido por ele :)
    Na rua, sou mais paranóica com o meu telemóvel. Nunca o levo dentro da mala e sinto-me orgulhosa porque se alguém ma puxar de esticão, todos contentes que levam ali uma preciosidade, logo ficarão desiludidos quando derem por isso :P

    um beijinho*
    Dreams and Lemonade

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  20. Sou um pouco assim de facto. Se calhar não em todas as situações que comentaste, mas em muitas delas :p
    Não sei se posso dizer que uma paranóia. Acho que é mais cautela, porque toda a gente sabe que as coisas acontecem e não é só aos outros. Tento sempre tomar algumas precauções, tipo guardar o telemovel e dinheiro fora da mala e coisas assim. Mas é quase intuitivo. Nem penso que vá acontecer algo, é só um gesto automático :)
    Segui o blog ;)
    xoxo, Ana

    The Insomniac Owl Blog

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  21. Eu (Ele) sou tal e qual!!! Até nos rimos a ler a publicação, adicionando coisas muito semelhantes que eu faço. E eu (Ela) consegui rever-me no papel da tua namorada... Mas admito que também me consegui rever no teu. Eu (Ele) estou sempre a tentar levar aqui a Ela a casa para que não tenha esses pensamentos todos quando ela anda de transporte a más horas (até porque já bem basta nas horas ditas "normais"), mas a verdade é que ela vai do carro a caminho de casa com as chaves entrelaçadas nos dedos porque vê filmes a mais e acha que é a melhor defesa se acertar com as chaves no pescoço de alguém...
    Resumindo: Eu (Ele) estou a 200 por cento contigo. Muito mais que faço poderia ser acrescentado. E eu (Ela) ainda que me dê vontade de rir, porque revejo as atitudes do Ele, também revejo as minhas próprias em certas ocasiões ahah

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Obrigado pela leitura e comentário!
Eventuais questões serão respondidas aqui, na respectiva publicação.

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