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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Já chega, não? | Amizades Unilaterais


Aos 23 anos já devia ter aprendido a lição. Tal como a vida, as amizades também são efémeras. Não vos vou contar uma epopeia digna de um segmento num programa da tarde, até porque a mensagem é muito simples: preocupo-me mais com os meus amigos do que eles comigo.

Embora seja extremamente tímido quando estou em ambientes "estranhos" ou conheço pessoas novas, se não tiver outro remédio, a vergonha passa relativamente depressa. Dependendo do indivíduo em questão, dou por mim a falar de tudo e mais alguma coisa, e às vezes até de mais  acabando por revelar coisas que não devia  com o à vontade de quem está à conversa com um companheiro de uma década. A trama intensifica-se quando os outrora desconhecidos se tornam amigos.

Como os meus anos de escola não foram propriamente um mar de rosas devido a alguns asnos que tive que aturar, desde cedo aprendi a valorizar a amizade e a sua importância. Sim, é um cliché enorme, mas pertenço ao grupo de bons samaritanos que são capazes de fazer o possível e o impossível pelo bem-estar dos outros. Talvez por possuir esta qualidade mascarada de defeito ou devido à minha experiência escolar/académica, apego-me demasiado às pessoas. Não estou a dizer que sou daquelas criaturas chatas que estão sempre atrás de vocês e a mandarem-vos mensagens e isto e aquilo, nada disso. Apenas crio expectativas na minha cabeça que nunca são correspondidas.

Não tenho amigos, tenho conhecidos. São tantos que podia escrever um conjunto de enciclopédias com os seus nomes. Mas amigos? Além da minha namorada, tenho três que se mantêm desde o quinto ano, depois disso nada. Ao contrário daquilo que sempre ouvi, não fiz "amigos para a vida" na Universidade. Tinha um grupo de quatro elementos de quem gostava e ainda gosto, mas dois anos se passaram desde a Licenciatura e só nos encontrámos todos uma vez. Estes "conhecidos" que antes se diziam meus amigos, divertem-se sem mim e com outras pessoas, o que só demonstra que nunca fui essencial à sua vida. Ora, se eu tenho a perfeita noção desta situação, porque raio é que fico especado em frente ao ecrã do computador a ver toda uma produção fotográfica de indivíduos que pertenciam ao meu círculo de amigos, a divertirem-se em jantaradas, nos copos e na praia, se nenhum deles me convida mesmo estando na minha localidade? Posso estar a soar infantil, mas este tipo de atitudes magoa-me profundamente. Tudo se resume a isto: importo-me demasiado com quem não se importa minimamente comigo. 

Lamento imenso mas para mim não faz sentido. Cada vez mais tenho a certeza que o termo "amigo" é utilizado com leviandade e que existem certos seres que só se lembram de nós quando lhes dá jeito. No entanto, se formos nós a precisar de ajuda, além de serem inúteis, parece que estamos a pedir um grande sacrifício. Um rapaz que em tempos considerei quase um melhor amigo, nem se digna a dar-me os parabéns, mas quando precisa de apontamentos para ver se termina o curso com três anos de atraso, já sou o bff dele. E sabem o que é mais irritante? O facto de mesmo assim eu o ajudar. Não sei se deva ser beatificado ou levar um estalo na cara. Se calhar esta história sempre podia passar no programa da tarde.

Um dos meus desejos para 2016 devia ser a capacidade de cortar pessoas da minha vida que não fazem falta nenhuma, mas não sou assim. Por muito que mande vir e fique irritado, no fundo, sou demasiado boa pessoa, o que neste mundo, é terrível. Posso não conseguir quebrar totalmente os laços com estes fantasmas do passado, mas daqui para a frente vou ter cuidado extra para me certificar que não me meto noutra amizade unilateral. Já chega, não?


Já tiveram/têm amizades deste género? Resolveram a situação ou nada feito?

22 comentários:

  1. Bofetada mesmo. Irritamente imenso essa tua veia tsundere. Já tiveste mais que tempo para aprender!

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  2. I feel you bro. Acontece-me mais ou menos o mesmo, mas eu corto e depois de cortar não há nada a fazer. Por isso é que eu tenho 3 amigas de coração e o resto é monte.
    Espero que te sintas melhor em breve e que aprendas a cortar da tua vida o que não te faz bem!!

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  3. Já tive amizades em que eu me me preocupava mais, sim. Em retrospetiva, penso que a culpa nem sempre foi dessas pessoas. Elas eram as minhas únicas amigas, mas ao contrário de mim tinham outros amigos, e é natural que fizessem programas para os quais eu não fosse convidada. Quando temos poucas pessoas na nossa vida é natural que as expectativas que lhes atribuímos sejam mais elevadas. De qualquer forma, desde essa altura - a do secundário - que considero não ter amigos. Não me incomoda e não procuro fazer amizades, porque desde cedo percebi que o tipo de relações que me fazem verdadeiramente feliz são as de amor romântico. Sei que hoje é quase crime anti-feminista dizê-lo, mas preciso da companhia de alguém que ame para ser feliz - amigos, nem por isso.

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  4. Tenho exactamente o mesmo percurso que tu na faculdade - a partir do momento em que me fartei da praxe, deixei de ser "fixe", e como não podia ir apanhar bebedeiras com eles todas as santas semanas, toca de me "afastar". Os convites vinham, mas ir era uma sessão de "ai nunca vens, ai és mesmo tótó". Not worth it. Tenho um core de 5 ou 6 pessoas que sei que estão cá quando preciso e pronto (e nenhuma delas da faculdade!). Mas felizmente tenho muita gente com quem me dou mesmo bem e com quem gosto de estar, mesmo que não sejam as pessoas com quem desabafo ou a quem recorro...e honestamente isso não me parece mal! Nem tudo tem que ser super intenso, e é bom ter algumas amizades mais leves :)

    Jiji

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    1. Fui a um único dia de praxe e nunca mais lá meti os pés, portanto não experiência ao máximo esse tipo de isolamento. Ainda assim, havia uma distância clara entre o grupinho dos fantásticos meninos trajados e os restantes. Simplesmente patético.

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    2. Patético é uma excelente definição ahah

      Jiji

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  5. "Um dos meus desejos para 2016 devia ser a capacidade de cortar pessoas da minha vida que não fazem falta nenhuma"... Actualmente tenho uma "amizade" ( não se pode chamar assim mas eu sou estupida e continuo a chamar a isso amizade) que, por muito que me esforce, do outro lado não recebo respostas, ou se recebo são promessas vãs, por isso entendo muito bom este texto.

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  6. Desreveste a minha vida de há uns tempos atrás em meia dúzia de palavras. Eu já fui como tu. Valorizava as pessoas que considerava "amigas" até à exaustão, colocava-as num pedestal, defendia-as e fazia tudo por elas. Chegou a uma altura em que levei bofetadas da vida e apercebi-me de que se as pessoas não me valorizam pelo faço, então não valem a pena. Simples. Aprendi que o tempo que eu disponibilizava para essas pessoas chega e sobra para as minhas coisas. Hoje em dia dou mais valor às pessoas que tenho e que considero mesmo amigas pelo simples facto de já ter errado ao fazer más escolhas e por me valorizar mais. Se a pessoa não quer saber de mim e depois vem-me com conversas da treta, a única coisa que faço é rir-me na cara dela e sair para outro lado.
    A sério Ricardo, vê-se que és ótima pessoa mas vai por mim, trabalha essa atenção que depositas nessas pessoas porque há quem não a mereça.

    avidadelyne.blogspot.pt

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  7. Olá. Nem sabes o quanto me identifico com o teu texto! Tal como tu também sou boa pessoa e importo-me demasiado com as pessoas, embora à primeira vista não pareça.
    Já tive várias desilusões e de todas as pessoas que sigo no facebook posso dizer que nenhuma delas é minha verdadeira amiga!
    Penso que verdadeira amiga só tenho uma e é com ela que posso contar, o resto é simplesmente um conjunto de 'desconhecidos' conhecidos...

    http://wherebelong.blogspot.pt/

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  8. Eu revejo-me TANTO nesta publicação! Principalmente porque mudei de escola há um ano e de todos os amigos que pensava ter, e portanto, se preocupavam comigo, "sobraram" duas pessoas, o que me deixou num misto de choque, raiva e tristeza quando me apercebi.
    Já comecei o processo de reciclagem de amizades este ano (e pretendo continuá-lo). Percebi que o tempo e dedicação que dava a amizades unilaterais poderiam ser "gastos" em pessoas que valessem mesmo a pena e se preocupassem tanto comigo como me preocupo com elas, e os resultado, ainda que a curto prazo, têm sido muito bons.

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  9. Sei tão bem o que é sentirmo-nos assim. Dá vontade de bater com a cabeça na parede até desistirmos de fingir que as pessoas merecem o nosso esforço, mas isto é só até se receber aquele telefonema de "Ah preciso mesmo de falar contigo". Depois falam e puff, voltamos a bater com a cabeça na parede. E o ciclo repete-se... Já tentei várias formas de resolver esse meu problema de ser "boazinha" demais, mas até à data ainda não descobri a solução milagrosa, desejo-te mais sorte para descobri-la do que tenho tido!

    Beijinho,
    www.embusca-de-umsentido.blogspot.com

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  10. Também já fui um pouco assim. Nunca fui de ter muitos amigos, o facto de não gostar muito das pessoas em geral tem disto... Preocupava-me, tentava ajudar em tudo o que podia e até mais, ligava, mandava mensagens, marcava cafés e mais não sei quê. Mas há sempre aquelas pessoas que, mais tarde ou mais cedo (sobretudo quando já não precisam de nós porque têm "amigos novos"), esquecem-se. Não têm tempo, nem para um café. Chegou um dia e aprendi a lição. Porque eu não preciso dessas pessoas. Quando alguém trai a minha confiança, para mim essa pessoa deixou de existir. É um pouco egoísta, eu sei, mas também é uma forma de me auto-preservar. Felizmente, nem todos foram assim, alguns são mesmo amigos ou, na verdade, praticamente família.
    ****

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  11. Ah, identifiquei-me imenso com isto... os amigos que fiz na faculdade, alguns tenho a certeza que vão ficar para sempre. Mas, também tenho algumas amizades unilaterais... pessoas que só se lembram quando dá jeito, pessoas que não souberam aceitar que eu me tenha saído bem, pessoas que só falam comigo quando eu estou em baixo, na esperança de se sentirem melhores com eles próprios... enfim. É como tu dizes, gostava de as cortar da minha vida, mas não sei se consigo...

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  12. É difícil quando temos um bom carácter, um espírito generoso e queremos passar às pessoas que mais gostamos, mesmo que elas não gostem da mesma forma que nós. Queremos dar às pessoas a melhor experiência possível de uma amizade connosco mas nem sempre esse esforço é reflectido e é altamente duro levar com a decepção. Em tempos também tinha essa reacção como a tua, revoltava-me imenso sentir que fazia figura de idiota por ser tão "dada" às pessoas e elas não mas decidi que não importava, e não importa mesmo. Não deixes de ter um carácter mais cândido e generoso por causa dos outros, o erro é deles, não teu. Afasta-te, como disseste que ias tentar em 2016, das pessoas tóxicas e com as quais não te identificas e continua a ser da forma que és porque dificilmente vais conseguir ter outro comportamento. As boas pessoas hão de chegar. E com o tempo vamos aprendendo (a custo, eu sei) a diferença entre bons amigos e pessoas de ocasião ou oportunistas. Ganhamos olho clínico para a amizade sem deixar de ter o bom coração que nos caracteriza :)

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  13. Não sei se é o caso, mas às vezes não falamos porque não nos falam e não nos falam porque não falamos... Se for um mal entendido destes espero que resolvam, se for outra coisa espero que sigas em frente :)

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  14. Eu ao longo dos anos fui cortando com muitas pessoas. Atualmente só me dou com quem quero e quem gosta de mim. O resto é merda.

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  15. Até à conclusão do ensino básico, eu também era assim como tu. Tentava ser amiga de pessoas que não estavam nem aí para mim. Depois, comecei a perceber que essas mesmas pessoas não valiam o título de "amigo" e deixei de lhes dar a importância que costumava dar. Acho que o facto de ter encontrado pessoas mesquinhas e egoístas ao longo dos anos de escola, fez com que, hoje em dia, eu seja muito cautelosa na escolha das minhas amizades. Não consigo dar confiança logo de início e tenho perfeita noção de que, verdadeiros amigos, tenho muito poucos. Mas, sabes que mais? Prefiro assim! Pessoas com muitos amigos, das duas uma: ou estão rodeadas de gente falsa ou são, elas próprias, pessoas falsas. Amigos devem ser poucos, e genuínos ;)

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  16. Independente do país, meu caro, estamos rodeados por pessoas que te querem por perto quando estão mal, ou que só desejam sua companhia se você estiver feliz.
    Sempre fui muito anti social e sumo com frequencia do circulo de amizades.
    Os que permanecem? Digo a você que nenhum. Todos tornaram-se conhecidos.

    | A Bela, não a Fera |
    | FB Page A Bela, não a Fera|

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  17. Revejo me em algumas partes da tua publicação, sem duvida que temos muitos mais conhecidos do que verdadeiros amigos e aqueles que menos esperamos são os que nos querem mal mas esta na hora de saber viver em comunidade!

    Abraço (:
    Obra d´art

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  18. Quase que posso dizer que este texto foi escrito por mim! Em tempos era muito assim, ficava a ver supostas 'amigos' saírem sem sequer me convidarem e bastava virem a pedir ajuda que eu ia logo!
    Mas já me deixei disso. Hoje em dia só quero saber de quem quer saber de mim. Literalmente assim. Melhor serem poucos amigos e bons do que muitos e maus!
    xoxo, Ana

    The Insomniac Owl Blog

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  19. Eu ultimamente também tenho sentido que as pessoas abusam imenso de mim, principalmente no que toca a apontamentos, cadernos, etc. É triste, mas na universidade infelizmente aprende-se muito sobre as pessoas!
    E, tal como tu, amigos tenho 4: o meu namorado e mais três desde o básico. De resto não consigo confiar na totalidade nem revelo tudo de mim.

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  20. Identifiquei-me muito com este texto. Acho que também pertenço "ao grupo dos bons samaritanos" ahah. Quando gosto de alguém, gosto de dar o melhor de mim a essa pessoa, mas nem sempre recebo o mesmo. Nem sempre fazem por mim nem metade do que eu faço, é o que dá ser demasiado boazinha! Amigos, amigos, conto pelos dedos da mão. O resto, meh. Em 2016 também espero desapegar-me das pessoas sem dó!

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Eventuais questões serão respondidas aqui, na respectiva publicação.

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