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terça-feira, 11 de agosto de 2015

O que aconteceu à inocência?


O meu trabalho de Verão na "Biblioteca de Jardim" já terminou e nem sei o que vos dizer sobre as coisas que ouvi de criaturas de palmo e meio. Pensava eu que em tempos fui uma criança avançada para a minha idade. Comparado com alguns miúdos era um santo!

Estou a ter um certo conflito interior a escrever este texto por saber perfeitamente que aos sete anos já tinha consciência do que era o sexo. Não, os meus pais nunca tiveram "a conversa" comigo. Em vez disso, adormeciam com a televisão ligada e eu, inocentemente, ficava a ver os programas/anúncios menos próprios, que na altura passavam nos canais generalistas. Cá em casa ainda se conta a história de uma vez em que o meu pai chegou a casa à noite (trabalhava por turnos), e enquanto a minha mãe estava ferrada a dormir no sofá, lá estava eu, sentado ao lado dela, com uns quatro/cinco anos, a ver mulheres com maminhas enormes e cabelos longos a saltitar de um lado para o outro. Oh my god! Já se passaram quase vinte anos e a minha mãe ainda não se conseguiu perdoar por esse incidente, coitada.

A diferença das conversas das crianças com quem trabalhei em 2011 para agora, foi brutal. É certo que muitos deles tinham três anos quando os conheci, mas não justifica andarem a ter diálogos de cariz sexual aos sete, e ainda para mais, à nossa frente! Para as mentes doentias, aproveito já para esclarecer que não incentivávamos nenhum tipo de conversa deste tipo, muito pelo contrário

Havia uma menina em especial, de quem nenhum de nós gostava (já vão perceber porquê), que era a definição viva do termo "inconveniente". Não só fazia comentários impróprios como chamar-me "sexy", como também era má para nós, os "monitores", e para outras crianças. "Quando é que se vão embora? Não vou ter saudades vossas.", refilava com uma resting bitch face a acompanhar.

Depois de um mês a ouvi-la perguntar se tínhamos filhos, se sabíamos que os bebés quando saiam da vagina vinham cobertos de sangue, dizer que a rapariga X tinha mamas sexys, a questão que muitas vezes colocava era: que raio de educação deram a esta miúda?

Tudo bem que com 7 anos eu também sabia muita coisa, mas nunca sob hipótese alguma, eu teria aquele tipo de conversas e muito menos com pessoas que não conheço de lado nenhum. É por causa de situações destas que digo e repito, os pais têm que impor limites. Hoje em dia muitas pessoas partilham o pensamento de que os progenitores têm que ser os melhores amigos das suas crias, está errado. Claro que não há problema nenhum em ter uma relação de proximidade com os filhos, mas há que saber definir bem a linha que separa o pai do amigo.

Para terem noção, a miúda em questão chegou ao cúmulo de dizer que se ela se sentasse ao meu colo as pessoas podiam achar que eramos namorados. Sim, leram bem, namorados! Já imaginaram os problemas que eu poderia ter tido se alguém ouvisse esta frase sem compreender o contexto? Podem estar a pensar que nós é que vemos a maldade no que eles dizem, mas acreditem que não. De onde este comentário veio, saíram outros bem piores. Como é óbvio cortei logo o assunto e chamei-a à razão, mas ainda assim, é assustador! A situação ficou de tal maneira constrangedora que as minhas colegas tiveram que intervir e repreendê-la. Se a criança é assim aos sete anos, nem quero pensar como será aos dezoito.

Sinceramente não consigo compreender como é que os pais não lhe dizem nada. Aliás, se ela tem aquele tipo de conversas, imagino o que não deve ouvir em casa. Por muito que tente mudar a minha opinião, isto só veio comprovar, mais uma vez, de que "a culpa é dos pais". Mesmo que ela estivesse exposta a um certo tipo de vocabulário na televisão ou escola, se os pais forem minimamente presentes vão aperceber-se da situação e meter um travão.

17 comentários:

  1. Essa menina é fresca! Obviamente que ela tem essa liberdade toda, porque em casa é incentivada inconscientemente pelos pais, que não devem ter pudor e cuidado nenhum. Enfim, quando ela aparecer grávida aos 14 quero ver a cara deles!

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  2. Aqui é o tentar entender o núcleo familiar em que ela se insere. Muitas das vezes essas temáticas são o pão nosso de cada dia em casa deles. E para nós o que não é normal, para eles é algo super comum (e vice-versa).Podia alongar-me mais, mas o centro desta questão é todo o mesmo: núcleo familiar.

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  3. Confesso que li duas vezes a parte em que ela diz que se sentasse ao seu colo, que os outros pensariam que eram namorados! Eu tenho 15 anos e nem com esta idade tenho coragem de mandar piropos e de ter este tipo de descrição e educação com as pessoas, muito menos com as que desconheço!
    Sinceramente não sei onde é que isto irá parar... -.-
    Beijinhos grandes e muitas felicidades! <3

    Chamam-me Pequenita - https://chamammepequenita.blogspot.pt

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  4. eu não acho mal nenhum as crianças saberem isso, bem pelo contrário. acho é que os pais, além de lhes ensinarem isso, deviam dizer como, quando e com quem podem falar disso. é o mesmo que ensinar a dizer puta. as crianças devem saber que essa palavra existe, o que significa, e que não o podem andar para aí a dizer a torto e a direito.

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  5. Também tive casos desses no meu trabalho e foi também bastante estranho e constrangedor!

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  6. Verdade isso, Ricardo! E eles nem sabem quanta coisa boa andam a perder!

    =**
    Mani Piñeiro

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  7. Pois, antes os miúdos sabiam as coisas mas não diziam nada com medo de serem repreendidos. Agora, e tal como dizes, nunca são chamados à atenção e fazem e dizem o que querem. Às vezes vejo pais tão despreocupados em relação a se os filhos os estão a acompanhar na rua ou não que nem quero pensar como são com estas questões.

    Lena's Petals xx

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  8. Isto é mesmo falta de acompanhamento dos pais.. Porra, eu com sete anos era tão, mas tão inocente!

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  9. Realmente é como um dia alguém disse "eduquem as crianças e não será preciso castigar os adultos". Supostamente para a maioria, tudo o que uma criança faz tem piada... Pois para nós não. Tudo tem limites! E educar uma criança é estar consciente que a educação é um todo. Não se educam adultos... educam-se crianças!! Infelizmente a maioria não pensa assim...

    - Ela e Ele.

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  10. Trabalho com crianças e diariamente me deparo com situações do mesmo género!
    Eu fico incomodada com os comentários, atitudes demasiado impróprios para adultos, quanto mais para crianças!!

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  11. É assim, há limites pra tudo... Se ela fosse minha filha, aí aí. Eu com 7 anos já sabia muito, é verdade, mas também porque sempre me mostraram a verdade tal como ela era. Mas agir assim nunca! É falta de comunicação entre pais-filhos, a meu ver.
    r: Sim as casinhas são mesmo em frente à praia e acho que quem moram lá são pescadores :) eu fiquei super fã deles, a Sharon não desilude nada!

    The eyes of a Mermaid

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  12. É normal que as crianças se apercebam das coisas, mesmo que não lhes expliquemos, nós também fomos assim, mas era uma coisa natural. O comportamento de alguns miúdos, como essa que referiste, é aterrador. Já me aconteceu de estar no Mac com as minhas amigas, e três miúdos de 5 ou 6 anos terem esse tipo de conversas para nós. Nem sequer podíamos refilar muito ou tentar impor respeito, porque as mãezinhas dondocas estavam na mesa ao lado, a falar de coisas fúteis, sem perceber que os miúdos estavam a ser muito rudes e inconvenientes connosco. Se fizéssemos alguma coisa, ainda se viravam a nós, universitárias de vinte anos, e ainda eram capazes de dizer que nós é que tínhamos puxado a conversa.
    É assustadora a educação que muitas crianças têm (ou não têm de todo) actualmente. E sim, essa ideia de que os pais são amigos e não impõem limites, está muito errada. Pais são pais, ainda que também sejam amigos. Mas meter a canalha em frente da tv ou com um tablet na mão é mais fácil. Dar educação dá trabalho.
    ****

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  13. What the fuck??...Eu quando tinha essa idade tinha "lata", mas esse comportamento ultrapassa mesmo muito isso. Espero mesmo que os pais se apercebam do que se passa e consigam chamá-la mesmo à atenção

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  14. Estou deste lado do ecrã e mesmo assim sinto-me constrangida com a tua situação... Eu tenho 20 e nunca disse esse tipo de coisas, nem agora digo sequer. Se bem que a miúda, além da claramente boa educação que teve, não deixa de ser criança e suponho que, por isso, não tenta tanto filtro nas palavras como os adultos. Mesmo assim, não há qualquer justificação!
    Isto é engraçado, porque eu acabei de ler a tua publicação, pouco tempo depois de ler no twitter que a irmã duma rapariga que eu conheço está a dormir com o namorado hoje. E sabes que idade tem essa irmã? DOZE ANOS! Como é que uns pais deixam a filha de doze anos já dormir com o namorado? Como?!
    O mundo está mudado e é claro que a culpa é dos pais. Começa com coisas pequenas que se vão transmitindo e agravando de geração em geração. O pior é que nem vejo volta a dar à situação.

    Catarina Gomes | http://cenasdumaraparigacomplicada.com/

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  15. Não sei se quando eras mais novo costumavas ver os desenhos animados do Shin Chan. Eu era doida com aquilo mas o carácter arrojado do boneco intimidava-me (baixar as calças, ser mal educado com a mãe, etc). Eu via e ria-me das outras peripécias, mas essas assustavam-me. Qual não foi o meu espanto quando descobri há uns tempos que havia uma nova série do Shin Chan (ainda para crianças) a passar em canais de televisão para crianças e com atitudes ainda mais arrojadas. Baixar as calças e mostrar o rabo agora é a parte mais suave dos episódios, que falam da própria genitália, virgindade (sim!) e tantas outras coisas. E os miúdos assistem. Eu sinto que há uma exposição muito mais aberta e gratuita a este tipo de conteúdos o que faz com que o tema se vulgarize e as crianças encarem como uma coisa tão corriqueira como para nós era falar de Morangos com Açúcar ou outras coisas que agora não me ocorrem. Concordo contigo na falta de intervenção dos pais, é essencial que estejam presentes! Não para criar uma educação opressora e com falta de abertura para falar sobre estes assuntos mas para perceberem a pertinência nuns casos e a inconveniência noutros. Sim, é essencial que eles vão descobrindo mais sobre a sexualidade e nem sempre o meio envolvente ajuda a que essa introdução seja um pouco mais suave e inocente no início. Mas é imperativo que os pais tenham consciência da forma como os filhos estão a absorver as informações. E no caso da miúda de que falaste, há uma séria falha parental.

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  16. Hoje em dia os pais estão-se a cagar. Têm os filhos mas não querem perder tempo nem paciência a educá-los. Isto é como eu ir trabalhar e ver putos de 5 anos a sacarem do iPhone 6 do bolso! Tipo na minha altura nem game boy tinha com essa idade!!! E depois em vez de estarem a aproveitar a visita estão agarrados ao dito cujo a jogar candy crush! Ou, por exemplo, quando fui jantar uma vez com o meu namorado olhámos para a mesa ao lado e havia uma bebé de 3 anos agarrada ao tablet porque supostamente era a única maneira de a menina comer sem fazer barulho. Na minha altura levava uma palmada, não havia cá tablets! E com essa menina deve acontecer o mesmo, os pais estão vidrados nos seus próprios gadgets e para não a ouvirem dão-lhe para as mãos outros tantos gadgets e ela vai aprendendo assim, vendo coisas aqui e ali com o poder da internet e os pais estão tão focados nos seus próprios umbigos que ou nem se apercebem ou preferem fingir que não se apercebem.

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  17. Xiii, ainda não tinha lido isto e realmente...
    Estou a pôr-me a par das últimas publicações do teu blogue e já nem me lembrava desta miúda-assombração! Do que me lembraste, nossaaaa!

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Obrigado pela leitura e comentário!
Eventuais questões serão respondidas aqui, na respectiva publicação.

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