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quinta-feira, 21 de maio de 2015

O Mundo Sexista dos Adeptos de Futebol

Uma repórter canadiana confrontou um grupo de homens que interromperam a transmissão com comentários sexistas. Shauna Hunt respondeu aos interlocutores dizendo que "é uma coisa repugnante de se dizer, é degradante para as mulheres".


Há uma semana atrás, uma correspondente desportiva disse "Basta!", após ser vítima de uma "partida" que tem vindo a ser excessivamente utilizada em repórteres femininas, glorificando a agressão sexual a mulheres.

Pouco tempo depois de Shauna Hunt iniciar a cobertura ao vivo de um pós-jogo em Toronto, um fã de futebol interrompeu a sua entrevista a dois adeptos para dizer "fuck her right in the pussy" (deduzo que não seja necessária tradução). Cansada deste tipo de comentários, Hunt resolveu confrontar um grupo de homens que, ao que parece, estavam à espera que a "brincadeira" ocorresse. 

"Isso é uma coisa repugnante de se dizer, é degradante para as mulheres", disse Hunt a um desses homens que defendiam o acto como divertido e inofensivo. "Humilhar-me-ia ao vivo na televisão?", perguntou. "Estou farta disto. Recebo comentários destes todos os dias. Dez vezes ao dia por homens rudes como você", explicou a repórter ao entrevistado.

Apesar de ser catártico para Hunt confrontar os seus agressores, eles parecem não partilhar da mesma opinião. "Não tem nada a ver consigo, tem tudo a ver com todos os outros", diz um homem, aparentemente a referir-se à quantidade de diversão que tanto ele como os seus amigos tiveram ao ver a "piada" acontecer.

O fenómeno FHRITP (fuck her right in the pussycomeçou em Janeiro de 2014 depois do comediante John Cain fazer upload de um vídeo onde se fazia passar por um repórter que numa transmissão ao vivo, "não sabia" que estava em directo e foi "apanhado" a dizer ao cameraman que "gostava de fod#$" uma jovem de 20 anos desaparecida (a notícia era falsa). "Não quero saber se ela tem 20 anos. (...) Não podes dizer que não a fod#$%. Talvez é mesmo isso que vou fazer quando a encontrarem (...) Vou fuck her right in the pussy.", disse o falso correspondente. Os adeptos masculinos de futebol acharam esta brincadeira genial e começaram a aplicá-la na vida real. 

Sempre tive uma certa aversão ao futebol precisamente por ter sofrido na pele comentários nada agradáveis de praticantes. Um rapaz que não goste de jogar futebol? Não é preciso pensar muito para saber o que diziam. Ainda assim, fico chocado pela forma como as mulheres são tratadas neste meio. Pergunto-me se gostavam que as suas mulheres, irmãs ou mães fossem alvos de comentários vis e nojentos como os anteriormente referidos. Qual é a piada? Humilharem-se em directo na televisão? Não entendo. É preocupante constatar, mais uma vez, que os sentimentos das mulheres são completamente ignorados como motivo de maior satisfação.

Poucos dias depois do vídeo de Shauna Hunt se tornar viral, o maior fornecedor de electricidade de Ontario, a Hydro One, identificou um dos homens como sendo um dos seus funcionários e demitiu-o. O agora desempregado engenheiro destacou-se no vídeo ao admitir "Não quero saber, é hilariante como o caral$%#", dizendo depois que a repórter tinha sorte por ninguém lhe ter colocado um vibrador no ouvido como, supostamente, aconteceu num incidente semelhante no Reino Unido. 

Quando questionado por Hunt sobre o que a mãe dele ia achar do seu comportamento, o adepto respondeu "A minha mãe ia morrer a rir". Vejamos se é esse o caso agora que ficou sem o seu ordenado de $106,510 mil dólares canadianos por ano (€78,354.06).

3 comentários:

  1. Uma mulher está sujeita a isto todos os dias. Já senti na pele piropos sujos, ofensas, etc. Fico sempre assustada porque nunca sei quando é que as palavras se irão transformar em acções. Espero que nunca. Este caso é nojento. Tirarem partido de uma frase para denegrir as repórteres só porque "acham piada". Pelo menos, a empresa onde esse "senhor" trabalhava teve bom senso. Que continue a ter azar, sinceramente.

    Isa,
    http://isamirtilo.blogspot.pt/

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  2. Gostei tanto de ler isto, sobretudo porque foi escrito por um homem!!! É bom saber que não são todos uns mentecaptos. Infelizmente, neste campo ainda há um longo caminho a percorrer... e não são só as mentalidades masculinas que têm que mudar, são as femininas também.

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  3. O pior disto tudo é que não só os adeptos do futebol. Mas já disseste tudo o que devia ser dito e agradeço por isso. Há poucos homens a compreender isso. E tens razão ao dizer que não só as mulheres a sofrerem no que respeita ao desporto. Ainda há pouco tempo, estava uma blogger a falar na Sic Mulher, a dizer que os homens que não gostam de futebol tiveram problemas na infância ou que não são normais. Epá. Por estas e por outras que não gosto de futebol.

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