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quinta-feira, 7 de maio de 2015

MOVIE LOUNGE | "Ida" (2013)



Muito antes da nomeação ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, fiquei muito curioso com Ida. Não fazia a mínima ideia sobre o enredo, apenas que tinha sido escrito e realizado por Pawel Pawlikiwski (Last Resort, My Summer of Love). Ainda assim, acabou por ficar esquecido na minha watchlist. Após ganhar a estatueta dourada não deu mais para adiar.

A história passa-se na Polónia, em 1962. Com apenas 18 anos, Anna (Agata Trzebuchowska) está decidida a tornar-se freira no convento onde foi acolhida em criança, após a morte dos pais. Antes de celebrar os votos definitivos, a madre superiora aconselha-a a sair do convento e visitar a sua única familiar restante: a tia Wanda (Agata Kulesza), uma mulher cínica e mundana, defensora do Partido Comunista, que revela segredos sobre o seu passado. Quando a conhece, a rapariga fica a saber que o seu nome verdadeiro é Ida, é judia, e os seus pais foram vítimas do extermínio nazi. As duas mulheres partem juntas para a aldeia onde nasceram, determinadas a enfrentar o passado e a desvendarem as suas raízes. Ida terá de escolher entre a sua origem judia e a religião cristã que a salvou dos massacres provocados pela ocupação nazi. Simultaneamente, Wanda terá que se perdoar por decisões difíceis que teve de tomar, durante a guerra, em relação a uma causa superior à sua própria família. 


Além dos três pólos centrais, a questão católica, judaica e o estado autoritário comunista, a relação entre Ida e Wanda é o ponto alto da produção. As personagens são complexas e o completo oposto uma da outra. Chegando a casa da tia, a jovem sofre um choque de realidades. Álcool, tabaco e sexo fazem parte da rotina de Wanda, que não vai abdicar do que lhe dá prazer para agradar à sobrinha. Um dos diálogos mais interessantes do filme é quando a tia confronta Ida sobre a ideia de sacrifício feito pelas freiras que fazem os seus votos. Como é que se pode chamar de sacrifício se não conhecem o prazer do pecado?


A roadtrip das duas personagens permite-nos ver como o trauma do pós-guerra permaneceu durante muitos anos na região. Não é por acaso que o que chama mais à atenção neste filme seja a fotografia. A utilização do preto e branco é simplesmente brilhante. O jogo de luz e sombras fornece uma certa profundidade à história e dá ao filme um ar fechado e antigo. É especialmente cativante devido aos olhos completamente negros da tia e sobrinha.

Juntamente ao Óscar, o filme recebeu o Prémio da Crítica Internacional no Festival de Cinema de Toronto e o de Melhor Filme no Festival de Cinema de Londres.

Nota IMDb: 7.4/10
Nota Ghostly Walker: 8/10

3 comentários:

  1. Por acaso é um filme que estou muito curiosa para ver..
    Não tive oportunidade de o ver para os oscars mas quero muito vê-lo brevemente.. :D

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  2. Este filme é uma pérola. Para além da história, com o seu quê de fora de comum, tem uma realização impressionante. É um dos filmes visualmente mais apelativos que já vi, adoro como remete tanto para os anos 60 e para o Godard, mas com travellings e planos que até transcendem!

    estanteblog.blogspot.pt

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