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sexta-feira, 26 de maio de 2017

CINEMA ⤫ Pocket Reviews #27


SINOPSE: Chris Washington, um afro-americano, vai visitar os pais da namorada que habitam num misterioso subúrbio caucasiano. A visita torna-se cada vez mais estranha e desconcertante para o jovem que rapidamente se apercebe que algo de errado se passa naquela comunidade.

OPINIÃO: Nos dias que correm são raras as produções que conseguem fazer jus à hype, leia-se, The Girl on the Train, mas esta conseguiu triunfar onde muitas erraram. Get Out é um filme de terror psicológico com a capacidade de se tornar num clássico dos tempos modernos. Sem se limitar a recorrer aos habituais truques de luz e som para provocar sustos no público, esta longa vai construindo uma narrativa sólida com personagens fortes e bem desenvolvidos. Algo extremamente raro no género em questão.

Jordan Peele, a mente criativa por trás do guião, escreveu uma premissa com tensões raciais mas extremamente interessante. Embora considere que o trailer dá a entender metade daquilo que vai acontecer, o que quebra um pouco o efeito surpresa. Dito isto, seria um verdadeiro crime caírem no erro de pensar que este é apenas "mais um filme contra racistas". Não é, é muito mais que isso.



SINOPSE: Jamie Fields é um adolescente que vive com a sua mãe, Dorothea, em Santa Bárbara, Califórnia. Abbie é uma estudante de arte e feminista que aos poucos vai utilizando as suas experiências para passar conhecimentos ao rapaz. Já Julie tem uma forte ligação com Jamie mas, apesar de dormirem juntos todos os dias, são apenas bons amigos.

OPINIÃO: 20th Century Women foi uma das razões pelas quais tentei adiar ao máximo a minha lista dos "Melhores Filmes de 2016". Tinha a certeza que quando o visse entraria para o top 20 mas infelizmente não foi disponibilizado a tempo. As expectativas confirmam-se, esta dramedy é fantástica.

Um dos vários factores positivos desta obra é a contextualização da década de '70, numa altura em que a violência não era uma das principais preocupações das pessoas. São pequenos detalhes como, por exemplo, o discurso da "Crise de Confiança" de Jimmy Carter, que elevam a caracterização não só da família como do quotidiano norte-americano.

Sensível e incrível, a narrativa é uma homenagem a todas as mulheres e mães. Aborda a força impressionante do sexo feminino e, ainda que o título remeta ao século 20, a mensagem é intemporal. Destaque ainda para a interpretação de Annette Bening, esse monstro da representação que mereceu sem dúvida alguma a nomeação ao Óscar de Melhor Actriz com a sua Dorothea.








SINOPSE: O ano é 2029. Já não nascem mais mutantes e Logan vive sob o seu nome verdadeiro: James Howlett, a poupar dinheiro para proteger o cérebro mais poderoso do mundo e que sofre de uma doença degenerativa. O Professor Xavier está demente e as consequências do descontrolo podem ser fatais para a Humanidade.

OPINIÃO: Apesar da X-Men franchise ser uma das minhas favoritas, nunca pensei que tivessem a capacidade de criar algo tão rico como este filme. A sério, ainda estou em choque com a qualidade. Satisfatoriamente violento, a certa altura Logan torna-se numa espécie de roadtrip movie, numa mistura entre os westerns clássicos de Clint Eastwood e a acção distópica de Mad Max. Não perde tempo a fazer um resumo do que aconteceu no passado. É uma história escrita, do início ao fim, para os verdadeiros fãs da saga e não podia estar mais satisfeito.

A relação quase de pai/filho entre o Hugh Jackman e o Patrick Stewart é igualmente dramática e absolutamente ternurenta. A química é tão natural que chega a ser comovente quando nos apercebemos que ambos vão deixar este universo. Sem revelar demasiado, a cena em que vemos Logan a subir com o  Prof. Xavier ao colo, para o deitar, é das mais queridas dos últimos tempos, especialmente num filme de super-heróis!

O final deixa-nos com um nó no peito. Hugh Jackman é e sempre será Logan. Deu corpo e alma a esta personagem e ao fim de 18 anos, despediu-se com chave-de-ouro, no melhor filme alguma vez produzido na franquia.




SINOPSE: Ashley e Verónica encontram-se por acaso numa festa e percebem que as suas vidas tomaram caminhos bem diferentes. Uma é pintora e não tem onde cair morta, a outra é rica e despreza a arte. Rapidamente as antigas hostilidades ressurgem e acabam ao murro, literalmente.  

OPINIÃO: Numa era em que muito se debate a crise de originalidade em Hollywood, é tão bom saber que ainda há quem tente contrariar a norma e construir novos tipos de narrativa. Ignorado por muitos, Catfight é um dos filmes mais originais e interessantes saídos do território norte-americano no último ano.

A dupla brilhante de protagonistas, Anne Heche e Sandra Oh interpretam duas arqui-inimigas e o reflexo uma da outra. Não é por acaso que a história se divida em dois actos reversos um do outro. Uma é artista, a outra não compreende o valor da arte; uma usa o conflito no Médio Oriente como inspiração artística, a outra deixa-se levar pelo interesse financeiro do marido no conflito; mas ambas acabam por ser mulheres solitárias, mesmo quando estão acompanhadas.

Existe um forte elemento de wtf ao longo da trama, mas é precisamente isso que me fez adorar este filme. O duo anda à luta três vezes e o desfecho aponta para um empate técnico, se bem que a vitória é das actrizes que estão soberbas tanto na vertente emocional como na comédia negra.


Já viram algum dos quatro filmes? Qual é o vosso favorito e o que gostaram menos?

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O dia em que quase fui assaltado


Por muito que nos custe admitir, está na natureza do ser humano julgar os outros. Não, não consigo acreditar em alguém que me diga que nunca o fez pelo menos uma vez na vida. Até pode não ser com maldade, mas quem é que nunca deu por si a fazer um scan mental a determinado indivíduo? Admito que sofro bastante deste problema. Em contrapartida, raramente me engano.

Consciente de que isto de fazer juízos de valor antecipadamente não é lá muito bonito, há alturas em que tento fazer um exercício interno para contrariar esta componente inata do meu cérebro. Tudo estava a correr bem até à semana passada, altura em que fui recordado que, às vezes, aquilo que parece é e não nos devemos crucificar por isso.

Na manhã de 17 estava a fazer o meu caminho habitual do metro até ao trabalho quando sou abordado por uma senhora que me pergunta se lhe podia tirar uma fotografia e ao marido que, segundo ela, estava "ali" no parque. Apesar de já o ter feito no passado a estrangeiros, por norma sou o tipo que utiliza a máxima "desculpe, estou com pressa". Numa fracção de segundos contrariei os meus instintos e pensei, "vá lá, Ricardo, não sejas um asshole".

Ao caminhar com a mulher os meus alertas psíquicos começaram todos a disparar. Não querendo ferir susceptibilidades de cépticos mas percebi logo o que estava acontecer quando me vem a frase à mente "estás a levar-me para a morte e eu a ver". Sim, dramático até mais não, mas podia ter acontecido!

Ao ver que o dito "parque" estava vazio, paro abruptamente e pergunto-lhe "então onde é que está o marido?" ao qual ela responde "ah... eh... ele já vem aí". Se antes era uma suspeita agora tinha a certeza, tinha que sair dali rapidamente. O meu "Bem, estou atrasado para o trabalho, tenho que me ir embora" foi recebido com um agarrar de braço por parte da mulher que ao ver o meu "puxão" de resposta diz "não tenha medo que não lhe faço mal". Cinco segundos depois parece que lhe deu qualquer coisa e era outra pessoa. A voz e olhar mudam para algo quase assustador e diz-me de dentes cerrados, "é só para saber que o meu marido está ali atrás do arbusto com uma pistola (...)". Nem a deixei acabar. Alto e bom som interrompia com "Pois, logo vi. Já sabia." Isto tudo enquanto viro costas (sempre com o canto do olho a ver se alguém vinha atrás de mim), e ela continuava, agora a gritar, "é melhor não sair daqui!!!" e eu, sem olhar para trás, aceno-lhe um adeus acompanhado de um "'tá beeeem!". Cheguei ao trabalho e a adrenalina foi substituída por tremores nas pernas, tal foi o susto, mas felizmente estava são e salvo.

Tenho noção que o relato, especialmente a minha "despedida" pareçam hilariantes, mas garanto-vos que rir era tudo aquilo que não me apetecia fazer naquele momento. Agora que penso nisso, nem me reconheci com aquele à vontade todo e firmeza com que lidei com a situação, mas fico feliz por saber que that guy's in here, somewhere.

Os red flags estavam todos lá desde o início e eu preferi ignorá-los para "não julgar ninguém". Quando alguém nos pede para os fotografar, é ali, naquele instante. Não precisamos ir ter com este ou aquele em outro sítio. A forma como ela olhava para todo o lado como se estivesse com medo, não era cuidado com os carros que passavam na estrada, mas sim paranóia. A forma como ela estava vestida não era de alguém que tinha "vindo da Alemanha de férias e que tinha casado". Estava tão distraído a ouvir música e surpreso pela interacção que tudo isso me escapou.

Nunca vou saber se o intuito era assaltarem-me, raptarem-me ou algo pior, mas prefiro morrer na ignorância. O certo é que se existiam algumas dúvidas sobre o meu sexto sentido apurado, foram aniquiladas com a certeza de que o devo seguir sem hesitar.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

SÉRIES ⤫ Cancelamentos & Renovações


Com a temporada televisiva norte-americana deste ano quase a terminar, significa que chegámos oficialmente àquela altura terrível em que ficamos a saber se a nossa série favorita pode estar perto de um cancelamento prematuro.

Enquanto alguns tv shows concluíram as suas histórias naturalmente (Bates Motel, Girls e Leftovers), esta última semana foi abalada por várias notícias incluindo mais American Gods, uma continuação do revival de X-Files, a renovação dupla de Modern Family  somando um total de 10 temporadas  e o cancelamento da aclamada American Crime.

No meio deste turbilhão de emoções, o que mais me chocou foi mesmo o anúncio de continuação de Once Upon a Time e o fim de 2 Broke Girls. Enquanto a primeira teve um final de season perfeito para encerrar a narrativa de vez - até porque a protagonista já tinha dito que não ia voltar - não compreendo como é que deram luz verde a uma 7ª temporada com apenas 3 personagens originais. Já a segunda, embora consciente de que era longe de ser perfeita, deixa um sabor amargo pela quantidade de pontas soltas que não foram devidamente tratadas por não estarem à espera deste desfecho. Bring them back!

Sem mais demoras, apresento-vos a terrível lista de programas que receberam Yays ou Nays das suas produtoras. Visto a quantidade de programas é astronómica e seria impossível referir todas, tentei colocar um pouco de tudo. No caso de não constar o nome de algum show que acompanham, provavelmente ainda não se sabe o seu destino ou escapou-me. A negrito encontram-se aquelas que vejo.

ABC/FREEFORM
RENOVADAS
 Grey's Anatomy - 14ª
 The Middle - 9ª
 Once Upon a Time - 7ª
 Scandal - 7ª e Última Temp.
 The Goldbergs - 5ª e 6ª
 Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. - 5ª
 How To Get Away With Murder - 4ª
 Black-ish - 4ª
 Fresh Off the Boat - 4ª
 Quantico - 3ª
 Shadowhunters - 3ª
 American Housewife - 2ª
 Designated Survivor - 2ª
 Speechless - 2ª
CANCELADAS:
✘ American Crime
✘ Conviction
✘ Dr. Ken
✘ Imaginary Mary
✘ Last Man Standing
✘ Mistresses
✘ Notorious
✘ The Catch
✘ The Real O'Neals
✘ Time After Time
✘ Secrets and Lies

FOX
RENOVADAS
 The Simpsons - 29ª e 30ª
 The X-Files - 11ª
 New Girl - 7ª e Última Temp.
 Brooklyn Nine-Nine - 5ª
 Empire - 4ª
 Gotham - 4ª
 The Last Man on Earth - 4ª
 Lucifer - 3ª
 The Exorcist - 2ª
 Lethal Weapon - 2ª
CANCELADAS:
✘ Sleepy Hollow
✘ Scream Queens
✘ Bones
✘ Coupled
✘ Houdini & Doyle
✘ Rosewood
✘ Pitch
✘ APB
✘ Son of Zorn
✘ Making History


POR DECIDIR: WAYWARD PINES | PRISON BREAK | SHOTS FIRED | KICKING & SCREAMING | 24: LEGACY


_____________FOX FX________________________NETFLIX
RENOVADAS
 The Americans - 8ª e Última Temp.
 American Horror Story - 7ª
 Feud - 2ª
 Taboo - 2ª
 Legion - 2ª
 Atlanta - 2ª
RENOVADAS
 Black Mirror - 4ª
 Daredevil - 3ª
 A Series of Unfortunate Events - 2ª e 3ª
 13 Reasons Why - 2ª
 Jessica Jones - 2ª
 Luke Cage - 2ª
 The Crown - 2ª
 The OA - 2ª

CBS
RENOVADAS
 NCIS - 15ª
 Criminal Minds - 13ª
 The Big Bang Theory - 11ª e 12ª
 NCIS: Los Angeles - 10ª
 Hawaii Five-0 - 8ª
 Blue Bloods - 8ª
 Elementary - 6ª
 Mom - 5ª
 NCIS: New Orleans - 4ª
 Madam Secretary - 4ª
 Scorpion - 4ª
 Zoo - 3ª
 Code Black - 3ª
 Life in Pieces - 3ª
 The Good Fight - 2ª
 Bull - 2ª
 Kevin Can Wait - 2ª
 Man With a Plan - 2ª
CANCELADAS:
✘ 2 Broke Girls
✘ Rush Hour
✘ American Gothic
✘ BrainDead
✘ Criminal Minds: Beyond Borders
✘ Doubt
✘ Pure Genius
✘ Training Day

NBC
RENOVADAS
 Law & Order: SVU - 19ª
 Will & Grace: 9ª (Revival)
 Chicago Fire - 6ª
 Chicago PD - 5ª
 The Blacklist - 5ª
 The Night Shift - 4ª
 Chicago Med - 3ª
 Blindspot - 3ª
 Shades of Blue - 3ª
 This Is Us - 2ª e 3ª
 The Good Place - 2ª
 Taken - 2ª
 Timeless - 2ª
CANCELADAS:
✘ Aquarius
✘ Emerald City
✘ Grimm
✘ Powerless
✘ The Blacklist: Redemption

CW
RENOVADAS
 Supernatural - 13ª
 Arrow - 6ª
 The Originals - 5ª
 The 100 - 5ª
 The Flash - 4ª
 iZombie - 4ª
 Jane The Virgin - 3ª
 Supergirl - 3ª
 Crazy Ex-Girlfriend - 3ª
 DC's Legends of Tomorrow - 3ª
 Riverdale - 2ª
CANCELADAS:
✘ The Vampire Diraies
✘ Reign
✘ Frequency
✘ No Tomorrow


STARZ
RENOVADAS
 Ash vs. Evil Dead - 3ª
 Outlander - 3ª
 American Gods - 2ª
CANCELADAS:
✘ Black Sails

(+) RENOVAÇÕES
 Homeland (Showtime) - 8ª
 Transparent (Amazon) - 4ª
 The Affair (Showtime) - 4ª
 12 Monkeys (SyFy) - 4ª
 Fear The Walking Dead (AMC) - 4ª
✓ Channel Zero (SyFy) - 2ª e 3ª
 Scream (MTV) - 3ª


Surpresos, felizes ou irritados com alguma? As vossas séries favoritas safaram-se?

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #30


#1. Drake More Life
MUST LISTEN: GET IT TOGETHER | PASSIONFRUIT | MADIBA RIDDIM |  TEENAGE FEVER 

Num intervalo de apenas dois anos, o Drake lançou duas mixtapes If You're Reading This It's Too Late (2015) e What a Time to Be Alive, esta última em parceria com Future, lançou um disco bem recebido comercialmente, Views (2016), e ainda colaborou numa série de faixas, como o hit "Work" da Rihanna.

Com tanto material a sair sem seguir, necessariamente, uma linha conceptual única, o rapper norte-americano encontrou a solução ideal, lançar o novo registo musical como uma playlist. Intitulado More Life: A Playlist by October Firm (2017), o novo "álbum" é excessivamente longo, com uma duração de 80 minutos. A colectânea de 22 faixas e interludes navega pelo dancehall ("Madiba Riddim", "Blem"), o grime ("Get It Together", "Passionfruit"), e R&B ("4422", "Glychester"), sem que se torne numa confusão de géneros.

Sinceramente considero o Drake extremamente sobrevalorizado, e não percebo a hype toda à sua volta. Apesar de não ser nenhum entendido em rap ou sequer adorar o estilo, sei ver que existem muitos outros artistas bem mais eficazes que ele. Dito isto, More Life valeu a pena nem que seja pela genial "Get It Together". 


#2. Nelly Furtado  The Ride
MUST LISTEN: PHOENIXPIPE DREAMS | CARNIVAL GAMES | STICKS AND STONES

Oh Nelly, a falta que me fizeste! Cinco anos após o lançamento do último disco, o injustamente underrated, The Spirit Indestructible (2012), a luso-canadense mais conhecida do mundo está de volta com The Ride. Neste sexto álbum, a cantora volta a explorar um novo universo musical, aproveitando para revisitar uma série de elementos originalmente utilizados nos seus primeiros trabalhos. Estamos no mesmo território indie pop/synthpop de artistas como Sky Ferreira, HAIM ou até Carly Rae Jepsen, ou seja, música de qualidade com pouco ou nenhum sucesso comercial.

Produzido em parceria com John Congleton, o leque de 12 faixas é uma viagem melodicamente incrível, do início ao fim. A cantora provou que o pop não precisa ser necessariamente descartável, pode ter cabeça, tronco e membros. Da batida emocionante de "Magic", dreamy "Pipe Dreams", culminando na etérea "Phoenix", é um crime não embarcarem nesta Ride.

#3. Goldfrapp  Silver Eye
MUST LISTEN: ANYMORE | EVERYTHING IS NEVER ENOUGH | MOON IN YOUR MOUTH | OCEAN

Honesty Time: este é o primeiro projecto que ouço dos Goldfrapp do início ao fim. Veredicto: não me perdoo por não lhes ter dado uma oportunidade antes. Silver Eye é o primeiro registo de inéditas em quatro anos e do pouco que conheço dos trabalhos anteriores, segue o mesmo estilo apoiado em sintetizadores e batidas trip-hop/chillout que os meteu no mapa.

Como não tenho propriamente fonte de comparação, estou bastante satisfeito com o que ouvi. "Anymore" e "Ocean" são sem dúvida as grandes stand-out tracks do álbum. Por entre tantas batidas minimalistas e sintetizadores crescentes, a voz delicada da Alison capta a nossa atenção de uma maneira incrível. Sem dúvida uma das grandes surpresas deste ano.

#4. Mac DeMarco  This Old Dog
MUST LISTEN: THIS OLD DOG | WATCHING HIM FADE AWAY |  MY OLD MAN | A WOLF WHO WEARS SHEEPS CLOTHES

O Mac DeMarco é um verdadeiro achado. Foi-me recomendado por um colega, quando andava na Universidade, e desde então converti-me num fã. Desde 2012 ele já lançou dois álbuns aclamados pela crítica e parece-me que este This Old Dog vai completar o triângulo. Responsável pela composição, produção e gravação de cada um dos instrumentos, o músico canadense (apercebi-me agora que o Canadá está em grande nesta publicação) faz do registo de 13 faixas uma obra pessoal e intimista, através de versos em modo de confissão presentes ao longo do trabalho.

Na faixa de abertura, My Old Man, Demarco apresenta ao ouvinte uma cuidadosa reflexão sobre a necessidade de amadurecer e encarar a vida adulta. Aos poucos, vamos tendo acesso a vislumbres da vida pessoal e infância do compositor. Uma história marcada por abusos e agressões causadas pelo pai alcoólico. Este tipo de vulnerabilidade é desfolhado com o avançar de cada canção, até "Watching Him Fade Away", encerra o ciclo. Sem dúvida a música mais sincera da sua carreira. Aqui vemos o cantor a chegar a um patamar de aceitação sobre deixar algo que nunca teve verdadeiramente. Este é o Mac mais no seu estado mais cru de sempre, numa espécie de carta de amor à família que nunca teve. É simplesmente heartbreaking.

OUTROS ÁLBUNS A OUVIR (AQUI)

Já ouviram algum dos quatro álbuns/ep's? Qual é o vosso favorito?

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Monkey see, monkey do


Se há algo que nunca vou compreender são os seres que seguem as massas. Sedentos por aceitação ou inclusão de um todo, estão dispostos a ir contra os seus próprios princípios só para se integrarem, seja em que contexto for. Não se trata de prepotência, mas não consigo mesmo aceitar que alguém seja tão insonso e sem personalidade que se presta ao ridículo de beber cada palavra, acção ou mensagem de outrem que consideram como um modelo a seguir.

Este tipo de coisas acontece muito com as ditas "celebridades". Nos anos 80, que rapariga é que não se vestia como a Madonna? Cada vez que olho para fotografias da minha mãe e as amigas na altura dá-me uma enorme vontade de rir, mas é normal, faz parte do processo de crescimento. O problema reside quando a pessoa não cresce e desenvolve uma espécie de dependência que lhe impede de pensar por si própria. O que começa por ser uma empatia e apreço por um artista, muitas vezes acaba a roçar a linha da obsessão, podendo chegar a situações extremas como a perseguição ou invasão domiciliária. Mas isso já é outra conversa.

Compreendo que as "modas" têm que surgir de algum lado, mas há que perceber se estamos a seguir algo porque gostamos genuinamente ou porque toda a gente faz. É precisamente a segunda opção que me tira do sério. Sou um grande defensor da diversidade e, como tal, detesto ver rebanhos de opinião. Talvez seja por isso que ganho uma pequena aversão a produções ditas mainstream, e olhem que não sou hipster nenhum. Lembram-se da velha máxima d'o que é de mais enjoa? Ora nem mais.

Felizmente li os livros do "Hunger Games" antes de os transformarem num império capitalista astronómico, se não o mais provável seria não ter comprado nenhum e só ter visto os filmes agora que a febre passou. Este é um dos motivos pelo qual muitas vezes prefiro que os meus grupos undergound favoritos se mantenham longe dos holofotes e no anonimato mediático. Sei que é egoísta, mas fico incomodado quando algo se torna popular e de repente todos se lembram que aquilo é bom, quando anteriormente, se fosse preciso, criticavam e nem queriam saber. 

Um bom exemplo disso foi o que aconteceu agora com a Eurovisão. Após meses a tecerem comentários nefastos e a ridicularizarem o Sobral, foi preciso ganharmos para ele passar de drogado a Salvador da Pátria  see what I did there?. Como parece bem, agora a Eurovisão já não é tão ridícula e não só somos fantásticos como a canção é a "coisa mais linda de sempre". Bitch please. Uma coisa era ouvirem tantas vezes a música que começavam a gostar  algo que acontece frequentemente  outra  é isto. Coerência é algo que falta a muita gente.


Claro que não o vão admitir mas fica a pergunta, costumam seguir as massas?
Esta maneira de ser incomoda-vos?

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