Pages

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Adeus processados, olá alimentação saudável


Uma das minhas principais características é gostar genuinamente de comer. Sim, sou daquelas pessoas que fica extremamente irritada se tiver fome e ganha um brilho nos olhos se lhe colocam à frente um prato que adora. Segundo consta, sou assim desde bebé. Bastava mostrarem-me uma colher que lá abria a boca para encher a mula. Por incrível que pareça, nunca fui propriamente "gordo", mas passei por várias fases mais roliças, vá.

Apesar de não cometer grandes excessos no que toca a doces e afins, não posso dizer que tivesse uma alimentação saudável. A minha mãe fica muito ofendida quando digo isto porque não consegue entender que não é um ataque à sua excelente perícia culinária, mas um facto. Coca-cola, batatas fritas e toneladas de pastas de atum com maionese faziam parte da minha rotina semanal, para não dizer diária. De que adianta comer peixe cozido numa refeição, se pelo meio existem pecados gastronómicos que anulam o resto?

A expressão "somos o que comemos" explica bem o porquê de nunca me ter sentido bem na minha própria pele. Foram anos a passar por um duelo interno entre "aquilo que quero ser" vs. abdicar de um dos maiores prazeres da minha vida, comida não-saudável. 

Quando vivemos com os nossos pais e são eles quem ditam as regras na cozinha, torna-se extremamente complicado contrariar o "sistema". Se digo que vou deixar de comer fritos, riem-se enquanto mandam para o ar uns quantos "até parece que comes isto todos os dias" ou "não comas não que ainda cais para o lado". Após várias tentativas falhadas ao longo dos anos, foi preciso fazer análises e descobrir que, no espaço de um ano, fiquei com colesterol para finalmente me levarem a sério e ajudarem a mudar. 

Em vez de parar de beber coca-cola como resultado de uma promessa (hey, tem que ser aquilo que nos custa mais), abandonei-a por completo. As batatas fritas de pacote deram lugar a saladas e até os malditos bróculos que sempre me recusei a comer em criança agora são presença cativa no meu prato. A refeição mais importante do dia, o pequeno-almoço, outrora ignorado por completo, é recebido com papas de aveia, sementes de girassol, nozes e outras delícias que descobri que adoro.

Se sinto falta das comidas antigas? Sem dúvida. Lamento imenso mas aquela história que as pessoas healthy dizem sobre "sentires-te muito melhor" e "não quereres outra coisa", é bs. Estou neste processo há dois meses e sinceramente não noto grandes diferenças no que toca ao meu estado de espírito. Fisicamente sim, estou mais magro, mas é muito complicado combater a tentação. Sinto-me orgulhoso por estar a conseguir cumprir um regime limpo de processados, mas não invalida a vontade que se mantém de querer comê-los. Há alturas em que só me apetece devorar uma pizza, seguida de um belo bacalhau à Brás, com direito a uma bola de Berlim bem recheada como sobremesa. Sou um eterno foodie e não há nada capaz de alterar nisso.

Para evitar a queda num abismo de gulodice e um choque no meu corpo, a minha nutricionista de serviço aka a namorada, aconselhou-me a comer algo non-healthy nem que seja uma vez por semana. O chamado dia de liberdade, se quiserem, mas sem excessos, claro. Digamos que os Sábados agora são oficialmente o meu dia favorito. 

Ainda tenho um longo caminho a percorrer, especialmente no que diz respeito a compreender ao certo aquilo que devemos comer, em que quantidades e a que horas, mas ao menos consegui dar o primeiro passo que é quebrar as correntes processadas que começavam a sufocar o meu coração.


Seguem uma alimentação saudável? Custou-vos ou foi fácil a mudança (se é que houve)? 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Abandono Animal no Verão


Na longa lista de problemáticas que não consigo compreender, o abandono dos animais na época balnear ocupa um dos lugares cimeiros. Pois é, as férias de Verão continuam a ser sinónimo desta prática tão pouco humana que, apesar de diversas campanhas de sensibilização e alterações legislativas, parece não ter fim.

Uma das frases que mais profiro é que "odeio pessoas". A sério, a cada dia que passa perco mais a esperança na humanidade. A quantidade de atrocidades que acontecem diariamente é inacreditável, e nem os pobres animais estão livres de perigo. Sou um eterno animal lover, sem conotações de bestialidade, e incomoda-me imenso ver cães (também há gatos, mas todos sabemos que a esmagadora maioria é do primeiro tipo) a vaguear pelas ruas. Aliás, a minha cadela era uma destas vítimas de abandono e que acolhemos de braços abertos. 

Como é que existem monstros capazes de abrir a porta do carro, muitas vezes em andamento, e deitarem o seu animal de estimação porta fora, como se de um pedaço de lixo se tratasse? Muitos acabam por ser atropelados ou ficar gravemente feridos. Tudo isto porque querem ir de férias e os seus companheiros de quatro patas se tornam num estorvo? Não dá. Recuso-me a aceitar isto.

São muitos os indivíduos que ainda olham para o animal como um objecto. Na hora de o adquirirem, seja por compra ou adopção, pensam nele como uma espécie de acessório fofinho, desconsiderando por completo o facto de ele ir crescer, comer e eventualmente exigir alguns gastos extras com a sua saúde. A partir do momento em que acolhem um animal nas vossas casas, ele torna-se automaticamente um membro da família, como se de um filho vosso se tratasse. É inconcebível o tratamento que estas pobres almas recebem por parte daqueles que deveriam zelar por eles.

Está a custar-me imenso escrever este texto porque imagino o horror que os animais não devem sentir quando percebem que os donos os abandonaram e deixaram completamente sozinhos, sem lar, companhia, comida e água. Não se podem esquecer que, tal como nós, eles têm a capacidade de sentir prazer e dor, física e psicológica, de ter emoções e percepções de bem e mal-estar. São seres puros que nos oferecem o seu amor incondicional e é esta a paga que recebem? Não!

As leis podem existir mas enquanto as mentalidades não mudarem, vai ficar tudo na mesma. Sim, porque o abandono dos animais por aqueles que têm o dever de cuidar deles, é punido com pena de prisão até 6 meses ou multas que podem ir dos 500 aos 3.740 euros. 

Não sei o que os criminosos que cometem estes actos têm na cabeça, mas sei perfeitamente o que lhes fazia.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

5 Passos para não deixares o teu blog morrer


#1. Agenda publicações

Se tal como eu não fores um blogger a full time, as chances de não conseguires escrever publicações todos os dias são mais que muitas. Criar um blog nas férias de Verão é muito bonito, mantê-lo quando as obrigações voltam é que nem tanto. Ao acordar todos os dias às 7h da manhã e chegar a casa às 20h da noite, rapidamente percebi que precisava planear melhor a minha agenda. Na maioria das vezes o cansaço é tal que nem existe paciência para pensar em redes sociais. Como alternativa comecei a escrever os posts aos fins-de-semana e a agendá-los ao longo da semana seguinte. Se consigo sempre cumprir este método? Não. Ultimamente a ronha tem vencido, mas não é uma regra. Portanto não há desculpas para deixares a tua página ao abandono.

#2. Comenta Blogs

Já o referi inúmeras vezes: sem promoção, mais vale fechares as portas. A não ser que sejas um blogger estabelecido ou daqueles que quando chega a um número confortável de visitas começa a cagar (desculpem a expressão) nos comentários alheios, é fulcral divulgares a tua página. Não digo que seja necessário responder a todas as pessoas que te visitam, até porque muitas vezes não vai acrescentar nada, mas se não te deres a conhecer, como é que estás à espera que mais gente te encontre? Tenho pecado imenso neste ponto e peço desde já desculpa por isso. Graças à rotina e cansaço que referi a cima, a vontade de comentar seja o que for é praticamente nula, mas tenho que tentar quebrar este ciclo vicioso ou então não posso estar à espera de milagres.

#3. Não publiques por obrigação

Uma das piores coisas que se pode fazer é publicar só porque sim. Os chamados posts para encher chouriços são uma constante na blogosfera e precisam ser exterminados como uma infestação de baratas. Lamento imenso mas prefiro estar calado a dizer porcaria. Claro que este tópico é muito subjectivo, porque aquilo que me parece interessante pode ser uma baboseira para ti, mas existe um mínimo lógico do aceitável. Atenção, se fores daquele tipo de bloggers que se contenta em colocar uma fotografia à la VSCO com umas frases soltas sobre a ida ao café com o Kiko, força. Afinal de contas, existe público para tudo. Pessoalmente, evito esse tipo de publicações por não acrescentar nada à minha existência ou sequer me fazer rir.

#4. Aponta tudo o que te vier à cabeça

Sempre achei piada a ter um caderno com ideias para posts. Sei que tenho um, algures, mas se no início começo muito disciplinado, com o tempo acabo por deixar as coisas de lado porque ain't nobody got time for that. Um erro que contornei de forma muito simples: telemóvel. Pois é, há alguns meses, durante as minhas longas viagens de comboio, comecei a adoptar o sistema de escrever tudo o que me vier à cabeça nos lembretes. Aqui entre nós, é muito mais prático, fácil e menos pesado. Confesso que já cheguei a escrever publicações inteiras na dita aplicação do aparelho telefónico e nem consigo explicar o alívio que foi poder fazer copy-paste, editar e done! É uma óptima maneira de gerir o tempo morto em que estou fechado na carruagem. Além do mais, por muito idiota que uma ideia possa soar, é sempre bom apontá-la pois pode originar algo hilariante.

#5. Olha em redor, inspira-te

A inspiração é como o mau ambiente numa relação amorosa, vai e volta. Todos nós passamos por fases mais e menos produtivas do ponto de vista criativo, e é importante estarmos atentos ao nosso redor. Graças a isto já escrevi publicações como os populares volumes do "Auto dos Transportes do Inferno", e uns quantos "Já chega, não?". É a parte boa de ter um blog generalista, tenho liberdade total de explorar qualquer tema sem estar preso a um assunto específico. Aproveitem-se disso e explorem tudo à vossa volta. Seja uma ida à mercearia ou um jantar de família. Existe sempre um ângulo de onde podem criar uma história, mas isto já é o jornalista em mim a falar.


Já cometeste o erro de deixar o teu blog morrer? Aplicas algum destes pontos no teu dia-a-dia?

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Kesha ✞ "Praying"


Após uma longa batalha judicial travada com um produtor musical e a respectiva editora discográfica que a impediram de lançar conteúdo, a Kesha está oficialmente de volta e melhor que nunca. "Praying" é o primeiro single em quatro anos e a primeira balada a ser lançada na carreira da cantora. O resultado é simplesmente arrepiante. Se ainda não ouviram, por favor, parem de ler, cliquem no vídeo abaixo e voltem daqui a 5 minutos.

Mundialmente conhecida como uma party girl e dona de hits como "Tik Tok" e "We R Who We R", este comeback é agridoce. Não por ser num registo completamente diferente, trocando as pistas de dança por algo que se aproxima ao gospel, mas pelas razões que a levaram a estar ausente durante tanto tempo. A canção, inevitavelmente, fala das dificuldades que a jovem enfrentou nos últimos anos e como isso a transformou numa mulher mais forte e orgulhosa de si mesma. Se não estão familiarizados com a história, aconselho-vos vivamente a uma rápida pesquisa pela internet.

Para o lançamento da faixa a Kesha preparou um videoclip poderoso, repleto de simbolismos e metáforas bíblicas que explicam a sua jornada para a liberdade. Dirigido pelo talentoso Jonas Åkerlund, responsável por obras-primas como "Telephone" e "Paparazzi" da Lady Gaga ou praticamente o catálogo inteiro dos Roxette, somos convidados a assistir de camarote à tortura emocional que a Kesha passou. É simultaneamente poético, arrebatador e bonito. De longe o vídeo do ano e o melhor trabalho vocal dela.


Bastou ouvir a introdução para ficar desfeito em lágrimas. Riam-se, mas é verdade. A dor na voz dela é tão evidente que me custa imenso ouvir tudo sem uma reacção emocional. Sozinha, no meio do oceano, a cantora bateu oficialmente no fundo. Sem esperança, questiona Deus sobre o porquê de lhe ter acontecido aquilo. Se ele realmente existe, porque razão permitiu que passasse por algo tão horrível? Destroçada, pede para morrer, pois estar viva dói demasiado:
Am I dead? Or is this one of those dreams? Those horrible dreams that seem like they last forever? If I am alive, why? Why? If there is a God or whatever, something, somewhere, why have I been abandoned by everyone and everything I've ever known? I've ever loved? Stranded. What is the lesson? What is the point? God, give me a sign, or I have to give up. I can't do this anymore. Please just let me die. Being alive hurts too much.
Seja porque motivo for, é praticamente impossível não se conseguirem relacionar com estes pensamentos. Apesar de nunca ter falado abertamente disso aqui no blog, fui vítima de bullying durante 13 anos e foram muitas as vezes em que questionei se valia a pena continuar. Talvez por isso, tive uma conexão instantânea com esta canção. Tocou-me de uma maneira que nunca pensei ser possível. Uma coisa é associarmos uma letra a uma relação amorosa ou momento nostálgico, outra é reflectir um pedaço de nós, da nossa essência.  

Cada vírgula desta letra é para aquele cujo nome não deve ser pronunciado, mas até nisso ela provou ser superior. Não ataca quem lhe fez mal e a deixou ali, destruída. Não procura vingança ou incentiva violência. Em vez disso, reza por eles e espera que a sua alma encontre paz, face aos actos atrozes que cometeram. 

Conseguem compreender o quão importante é esta mensagem? No clima mundial em que vivemos, é extremamente relevante pois estamos rodeados de negatividade 24/7. Seja nos media ou nas trocas de palavras de uns com os outros, está em todo o lado. Ela tinha todos os motivos para odiar aquelas pessoas, mas isso só nos faz mal é a nós. Acabamos por nos deixar consumir por este sentimento tóxico e para quê? De que nos serve continuar a remoer isso se os outros continuam as suas vidas como se nada fosse? 

Na sua redacção para a Lenny Letter a Kesha explicou o significado de "Praying":
“It’s a song about learning to be proud of the person you are even during low moments when you feel alone. It’s also about hoping everyone, even someone who hurt you, can heal.”

Capa de Rainbow.
Todos nós devíamos aplicar esta máxima no nosso dia-a-dia. Podia dizer-vos para não retaliarem quando alguém vos tratar mal, mas na prática não é assim tão fácil. Resta-nos esperar que um dia se apercebam do que estão a fazer e nunca esquecer que a culpa não é vossa. O problema é deles, não vosso. Nunca se esqueçam disso. 

Rainbow é o primeiro álbum de inéditas da jovem norte-americana desde 2012, e vai estar à venda a 11 de Agosto. O projecto conta com Dolly Parton (num dueto da sua canção "Old Flames Can't Hold a Candle To You"), e os Eagles of Death Metal. Ate lá, resta-me continuar a contribuir para o número de visualizações de "Praying" que além de sensacional, tem tudo para se tornar num hino intemporal.


Gostam do comeback da Kesha? Conseguem relacionar-se com a mensagem?

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #32


'1. Lorde Melodrama
MUST LISTEN: SOBER | GREEN LIGHT | LIABILITY | HOMEMADE DYNAMITE | WRITER IN THE DARK | PERFECT PLACES | THE LOUVRE

Assim que ouvi a brilhante "Green Light" pela primeira vez, há alguns meses atrás, tive a certeza de que o álbum seria bombástico. Quando finalmente chegou, foi com enorme satisfação que pude comprovar:
Melodrama é um dos, se não mesmo O melhor disco deste ano. 

O sucessor de Pure Heroin ficou em gestação durante quatro longos anos, mas valeu a pena cada segundo. Com uma produção inegável do Jack Antonoff, dos Bleachers, a Lorde passou de outsider a observadora. Normalmente existe sempre uma música que podia ter ficado de fora da lista, mas aqui isso não acontece. Do início ao fim, somos convidados a assistir a uma espécie de biopic da vida sentimental da cantora. É mais drama que melo, talvez porque o que o Frank Ocean é para o R&B, a Lorde aspira ser para o pop, isto é, uma poeta lírica. Missão cumprida.

Há muito tempo que não ficava em êxtase com álbum mas este Melodrama marcou pontos em todas as áreas. Vocalmente, o timbre continua igualmente assombroso e angélico, enquanto as letras são absolutamente geniais. As associações que a jovem cantora faz são, literalmente, fruto de uma mente incrível. Tudo isto com uma vibe à la 80's? Parece que foi feito especialmente para mim! A Lorde não é uma liability, mas pode ser um forest fire

'2. Imagine Dragons  Evolve
MUST LISTEN: I DON'T KNOW WHY | WHATEVER IT TAKES | BELIEVER | MOUTH OF THE RIVER

O disco de estreia dos Imagine Dragons,
Night Visions (2012), levou o seu tempo mas eventualmente tornou-se num êxito comercial astronómico. O álbum colocou a banda no cimo dos top's da Billboard  valendo-lhes a distinção de "Breakthrough Band of 2013". O sucessor, Smoke + Mirrors (2015), alcançou a primeira posição no U.S., Canadá e U.K., solidificando a sua marca na indústria musical e gerando ainda mais fãs.

Dois anos depois, o grupo de rock está de volta mas, tal como o título indica, sofreu uma evolução sonora. Pois é, Evolve, está mais para "Top 40" do que propriamente "Indie/Alt Rock". Se me incomoda? Nem um pouco. Este projecto abre com a fantástica "I Don't Know Why" que além de ser a minha favorita do catálogo, foge por completo àquilo a que estamos à espera dos Imagine Dragons. 

As críticas não têm sido nada positivas, mas sinceramente não compreendo. Tal como tem vindo a acontecer com inúmeros artistas, parece que as pessoas se recusam a aceitar qualquer tipo de mudança. O álbum chama-se "evolve", por amor de Deus! O que faz este trabalho ser tão interessante é precisamente a maneira como procura redefinir as fronteiras entre o rock e o pop. Extremamente catchy e nada cansativo, não podia pedir mais nada.

'3. Sufjan Stevens, Nico Muhly, Bryce Dessner & James MCalister  Planetarium
MUST LISTENPLUTOJUPITER | MARS | NEPTUNE | MERCURY | SATURN

Em 2011 Sufjan Stevens foi convidado pelo compositor Nico Muhly a participar num novo projecto numa galeira de arte localizada na cidade de Eindhoven, nos Países Baixos. Juntamente com Bryce Dessner (The National) e o baterista James McAlister, o quarteto produziu uma extensa peça intitulada Planetariuminspirado na composição do sistema solar, planetas e diferentes corpos celestes.

Algures no último ano, cinco após a apresentação do "grupo", Muhly decidiu entrar em estúdio e registar oficialmente a performance. O resultado são 17 faixas que navegam pelo cosmos, com uma ambientação electro-acústica que, de resto, tem vindo a ser incorporada pelo Sufjan Stevens desde o início da sua carreira. Melodias etéreas, arranjos orquestrais, sintetizadores, batidas e inserções minimalistas que se modificam a cada novo planeta conquistado pelo quarteto.

Há que ter em atenção que o projecto original foi concebido para ser uma performance piece, ou seja, pensado como um acto único ao vivo, depois transportado para estúdio. Talvez por isso, Planetarium acaba por se perder um pouco na via láctea. Um exemplo disso são os intervalos entre uma música/corpo celeste e outro. Ficamos com uma constante sensação de que estão a vaguear pelo espaço sem qualquer tipo de direcção. Ainda assim, a leve semelhança ao grandioso Carrie & Lowell (2015) do Sufjan  ocupou a 7ª posição no meu "TOP 50 ALBUMS OF 2015"  impede-me de apontar qualquer tipo de defeitos a esta produção.

'4. Margaret  Monkey Business
MUST LISTEN: WHAT YOU DOBYLE JAK | MONKEY BUSINESS | COLOR OF YOU

O meu guilty pleasure polaco está de volta e mais animado que nunca. Monkey Business é o segundo álbum a solo de inéditas da Margaret e deixou um sabor amargo na boca. Seguindo as pisadas do antecessor, Add the Blonde (2014), continuamos em território dance, com batidas infecciosas, tropicais, e prontas para animar o Verão de qualquer um. No entanto, ficou muito aquém das minhas expectativas. Após o brilhante lead single, "What To Do", foi com alguma desilusão que me deparei com um trabalho que começa bem mas rapidamente perde o gás e se torna saturante. 

Longe de ser o meu estilo de música favorito, são várias as canções electrónicas/dance que aprecio. Dito isto, tudo o que é de mais enjoa. Nos últimos cinco anos temos sido massacrados com uma produção em massa de sons genéricos e sem qualquer tipo de originalidade. Monkey Business tenta prolongar a corrente mas perde-se por completo na sua execução. Nada coeso, alterna entre batidas capazes de nos deixar com vontade de invadir uma pista de dança com baladas completamente opostas. Apesar de destoarem por completo das 10 primeiras, as duas faixas bónus, em especial a "Byle Jak", cantada totalmente em polaco, são fantásticas e mostram o potencial vocal da jovem de 26 anos.

OUTROS ÁLBUNS A OUVIR (AQUI)

Já ouviram algum dos quatro álbuns? Qual é o vosso favorito?

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...